sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Metal Church - Classic Live (2017)


Metal Church - Classic Live (2017)
(Shinigami Records/Rat Pak Records - Nacional)


01. Beyond the Black
02. Date with Poverty
03. Gods of a Second Chance
04. In Mourning
05. Watch the Children Pray
06. Start the Fire
07. No Friend of Mine
08. Badlands
09. Human Factor
10. Fake Healer (Bonus Studio Track com Todd La Torre do Queensrÿche)
11. Badlands (Studio Version)

É indiscutível que o retorno de Mike Howe fez um bem tremendo ao Metal Church, resultando em XI (16), o melhor trabalho da banda desde o clássico Hanging in the Balance (93). Após isso, a banda emendou uma turnê de divulgação onde não só tocou canções do novo trabalho, como também clássicos de sua história, tanto da primeira fase do vocalista com o grupo (1988-1995), como também do período do saudoso “Reverendo” David Wayne (1982-1988, 1998-2001). E como o título deixa claro, é justamente nos clássicos que esse 3º álbum ao vivo dos americanos se concentra.

Então não espere encontrar canções de XI, pois elas não se fazem presentes. Aqui, Mike Howe (vocal), Kurdt Vanderhoof (guitarra), Rick van Zandt (guitarra), Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria, que foi substituído esse ano por Stet Howland) nos apresentam apenas os clássicos inquestionáveis do Metal Church. Além disso, temos de bônus duas músicas de estúdio: uma nova versão para “Fake Healer” (presente em Blessing in Disguise (89)), que conta com a participação mais do que especial de Todd La Torre, do Queensrÿche, e “Badlands”, que entrou no set list ao vivo.



Com um repertório muito bem escolhido, ficou fácil para conquistarem o público presente. E tomem clássicos como  “Beyond the Black”, “Watch the Children Pray”, “Start the Fire” (as 3 da fase Wayne), “Date with Poverty”, “Gods of a Second Chance” e  “No Friend of Mine”. A energia que é passada pela banda em cima do palco é realmente incrível e fica muito nítido o quanto estavam se divertindo junto com o público ali. A nova versão de “Fake Healer” ficou realmente incrível, principalmente pelo contraste entre as vozes de Howe e La Torre, que ficou muito legal. Acertaram em cheio na escolha.

No fim, temos em mãos um trabalho de muito boa qualidade e que certamente vai agradar em cheio aos fãs mais antigos da banda. Com um set list escolhido a dedo para ser à prova de erros e uma ótima performance ao vivo, o Metal Church celebra não só o bom momento que vivem com a volta de Howe, como também toda a sua história.

NOTA: 8,0

Metal Church (gravação):
- Mike Howe (vocal)
- Kurdt Vanderhoof (guitarra)
- Rick van Zandt (guitarra)
- Steve Unger (baixo)
- Jeff Plate (bateria)

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Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)


Quintessente - Songs From Celestial Sphere (2017)
(Independente - Nacional)


01. The Belief Of The Mind Slaves
02. Delirium
03. A Sort Of Reverie
04. My Last Oath
05. Essente
06. Eyes Of Forgiveness
07. L'Eternità Offerto
08. Unleash Them
09. Reflections Of Reason
10. Matronæ Gaia (Chapter II)

O single The Belief Of The Mind Slaves (resenha aqui), lançado em 2016, já havia dado pistas que estávamos diante de uma banda diferenciada, já que sua proposta sonora foge do lugar-comum da maioria das bandas nacionais que temos oportunidade de escutar. O que temos aqui é uma interessante e criativa mescla de Death Metal Melódico, Progressivo, Doom, Gothic, Atmospheric, Metal Sinfônico, Black e até mesmo algo daquele Synth Pop oitentista.

Fazer algo tão amplo é arriscado, já que fica muito fácil se perder na falta de foco musical. Mas cabe dizer que no caso do Quintessente não estamos diante de um grupo iniciante, mas sim de uma banda que, entre idas e vindas, já está na estrada desde 1994. E no final essa experiência conta muito, já que o quinteto formado por André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Luiz Fernando de Paula (baixo), Cristina Müller (teclado e vocal) e Léo Birigui (bateria) faz uma música não só dificil de rotular, como também capaz de despertar sentimentos diversos no ouvinte.

Uma das coisas que muito me chamou a atenção foi a diversidade vocal que encontramos em todo trabalho. André Carvalho consegue ir desde vocais mais suaves até o gutural, passando pelo rasgado, tudo com uma naturalidade absurda. Os vocais femininos da tecladista Cristina Müller, quando surgem, também se destacam pela qualidade. Por sinal, o teclado foi outro aspecto de destaque. Ele se faz muito presente em todas as canções, sendo que em muitas é o fio condutor da mesma, mas sem cometer exageros e dando um ar pomposo às canções. O trabalho de guitarra também é muito bom, assim como a parte rítmica mostra muito peso e versatilidade.

O álbum abre com a já conhecida “The Belief Of The Mind Slaves”, faixa que resume bem o que é a sonoridade da banda. Ótimas melodias, passagens mais rápidas se alternando com outras mais atmosféricas, um refrão marcante e grande diversidade vocal. “Delirium” mantem a mesma pegada da abertura, soando bem agressiva, enquanto “A Sort Of Reverie” é um Death/Doom dos bons, bem arrastado, com ótimas linhas de teclado e belo trabalho vocal. “My Last Oath” é outra onde o trabalho de Cristina se destaca, além de possuir ótimas guitarras, e o Doom “Essente” fecha a primeira metade do trabalho de forma belíssima, com um ótimo dueto vocal e melodias que se destacam.


O álbum tem sequência com a pesada e agressiva “Eyes Of Forgiveness”, que possui um certo clima de introspecção. A épica “L'Eternità Offerto” mescla boas melodias com Black, Doom e Metal Sinfônico, além de ter uma parte rítmica de destaque, e “Unleash Them” surpreende pelas influências de Synth Pop oitentista e Gótico, soando como uma mistura do Depeche Mode com o Sisters of Mercy. É sem dúvida um dos momentos mais legais de toda a obra. Na sequência final, temos “Reflections Of Reason”, com boa mescla de agressividade e melodia, além de possuir bons riffs, e a arrastada “Matronæ Gaia (Chapter II)”, um Doom com toques Góticos e belo solo de teclado, além de ter boa diversidade vocal.

Gravado no Kolera Studio, o álbum teve produção, mixagem e masterização realizados por Celo Oliveira, com um resultado muito bom. Deixou tudo claro, audível, mas com uma pitada de crueza saudável e comedida, que caiu muito bem aqui. Já a bela parte gráfica do CD foi obra de Marcus Lorenzet (Artspell), e combinou perfeitamente com todo o clima criado pelo mesmo. Mostrando personalidade e uma música difícil de se rotular, o Quintessente lançou um dos grandes álbuns do Metal nacional nesse ano de 2017. Uma banda que realmente vale a pena conhecer.

NOTA: 8,5

Quintessente é:
- André Carvalho (vocal);
- Cristiano Dias (guitarra);
- Luiz Fernando de Paula (baixo);
- Cristina Müller (teclado e vocal),
- Léo Birigui (bateria).

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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Rotting Christ - Abyssic Black Cult (2017)


Rotting Christ - Abyssic Black Cult (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


Satanas Tedeum (Demo 1989):
01. The Hills of the Crucifixion
02. Feast of the Grand Whore
03. The Nereid of Esgalduin
04. Restoration of the Infernal Kingdom
05. The Sixth Communion
Ade’s Wind (Demo 1992):
06. Fgmenth, Thy Gift
07. The Fourth Knight of Revelation (1 & 2)
Snowing Still (Promo 1995):
08. Snowing Still
09. One With The Forest
10. The Opposite Bank

Eis que temos em mãos um documento histórico não só para os fãs do Rotting Christ, como para todos os apreciadores de música extrema. E o melhor de tudo, exclusivo para nós brasileiros. Isso porque a Heavy Metal Rock teve a brilhante iniciativa de unir em um único CD as demos Satanas Tedeum (89), Ade’s Wind (92) e a Promo Snowing Still (95), intitulando o material de Abyssic Black Cult.

Não se trata de material inédito, mas o que temos aqui não é algo de fácil acesso aos fãs brasileiros, já que tais trabalhos até saíram em CD, vinil e cassete, mas sempre no exterior, e muitas vezes por gravadoras obscuras, o que acaba por tornar o material não só mais difícil de ser encontrado, como também com um preço um pouco mais proibitivo. Além disso, por estar organizado em ordem cronológica, Abyssic Black Cult nos permite observar com clareza como foi se dando a evolução e maturação da sonoridade do Rotting Christ, além de deixar bem claro que sua personalidade musical se fazia presente desde os primórdios.

As faixas iniciais, retiradas da demo Satanas Tedeum, nos mostra um Rotting Christ ainda muito influenciado pelo Death/Black Metal e abusando da crueza. “The Hills of the Crucifixion” esbanja peso e alterna bem passagens mais velozes com outras mais cadenciadas. A cadência é a bola da vez em outro dos destaques iniciais, “Feast of the Grand Whore”, onde podemos observar boas melodias. A velocidade volta à toda na bruta “The Nereid of Esgalduin”, enquanto “Restoration of the Infernal Kingdom” se mostra mais diversificada nesse sentido. “The Sixth Communion” encerra a primeira parte do trabalho mesclando partes mais rápidas com outras de mais cadência, além de possuir melodias interessantes.



Em seguida temos as duas faixas retiradas da demo Ade’s Wind, onde já podemos observar uma banda mais evoluída (apesar da qualidade da gravação). Tanto “Fgmenth, Thy Gift” quanto “The Fourth Knight of Revelation (1 & 2)”, que posteriormente estariam presentes no debut dos gregos, Thy Mighty Contract (93), mostram aquele Black Metal com sonoridade mais climática que nos acostumamos a observar em seus primeiros trabalhos. Finalizando o CD, temos o material oriundo da Promo Snowing Still, que mostra o grupo dando um passo à frente em matéria de boas melodias (algumas típicas do Metal Tradicional) e se encaminhando para aquele Dark Metal dos álbuns futuros. Vale dizer que “Snowing Still”, “One With The Forest” e “The Opposite Bank” apresentam diferenças quanto às versões que apareceram no ano seguinte em Triarchy of the Lost Lovers (96).

Com relação à produção, não esperem algo nem próximo do que escutamos nos trabalhos atuais do Rotting Christ. O que temos aqui são músicas oriundas de Demos e Promos do final dos anos 80 e primeira metade dos anos 90. Sendo assim, a sonoridade é bem condizente com o período abordado, soando bem crua e suja. Mas ainda assim é possível distinguir sem esforço todos os instrumentos. Já a parte gráfica foi muito bem elaborada, contando não só com a capa de cada uma das Demos, como também com as letras de cada canção. Realmente um trabalho muito caprichado. No final, o que temos em mãos é um documento histórico exclusivo para o fã brasileiro, obrigatório para qualquer um que curta o trabalho dessa verdadeira instituição grega. Pode correr atrás, pois não vai se arrepender.

NOTA: 8,0

Rotting Christ (Satanas Tedeum):
- Sakis (vocal, guitarra);
- Mutilator (baixo);
- Necrosauron (Themis) (bateria).

Rotting Christ (Ade’s Wind):
- Necromayhem (Sakis) (vocal, guitarra);
- Mutilator (baixo);
- Savron (Themis) (bateria);
- Morbid (teclado).

Rotting Christ (Promo Snowing Still)
- Necromayhem (Sakis) (vocal, guitarra);
- Mutilator (baixo);
- Sauron (Themis) (bateria).

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Mortifer Rage - Fall of Gods (2017)


Mortifer Rage - Fall of Gods (2017)
(Vários - Nacional)


01. Intro
02. Ethnocentrism
03. Religious Necrosis
04. The Hammer
05. Immolation
06. Tunisian Storm (Instrumental)
07. No Masters, No God
08. Doctrines of Death
09. Hate, My Offer
10. Redeption Blade
11. Genocide of Minds
12. Sword and Blood

Dificuldades não faltam para quem resolve viver o underground de corpo e alma. O Mortifer Rage surgiu em Santa Luzia/MG, no ano de 1999 (ainda com o nome de Mortifer), apostando firmemente no Death Metal, e de lá para cá veio trilhando com firmeza o tortuoso e sinuoso caminho da música pesada em nosso país. Nesses 18 anos, os lançamentos foram esparsos. Primeiro veio seu debut, em 2001, Legacy of Obsessions, e seu segundo álbum veio 7 anos depois, Murderous Ritual. Agora, após um hiato de 9 anos (onde chegaram a lançar 2 singles), finalmente nos apresentam seu terceiro álbum, Fall of Gods.

Quando falamos aqui de Death Metal, estamos nos referindo àquela sonoridade mais tradicional, típica do final dos anos 80 e início dos 90, com foco em nomes como Deicide, Immolation e Morbid Angel. O Mortifer Rage não brinca em serviço e nem abre espaço para experimentos e inovações, pois seu DNA é old school até a medula. É bruto, é agressivo, é violento e sua música, forjada para destruir os pescoços mesmos dos deathbangers mais resistentes.

Ok, não temos absolutamente nada de novo aqui, e você pode até argumentar, com razão, que o que escutamos aqui já foi feito com muito mais brilhantismo por nomes consagrados do estilo, tanto no exterior como no Brasil. Mas e daí? O que importa é que ela é muito bem feita e transpira honestidade. É nítido que Carlos Pira (vocal/baixo), R. Amon (guitarra), Robert Aender (guitarra) e Wesley Adrian (bateria) amam o que fazem.

Quem teve a oportunidade de escutar os trabalhos anteriores da banda, vai notar de cara a evolução do quarteto desde o lançamento de Murderous Ritual. Sua música soa mais madura, coesa e bem trabalhada. Os vocais guturais são muito bons, enquanto as guitarras despejam riffs agressivos e de muita qualidade. A parte rítmica destrói tudo, mostrando boa técnica e variedade. Aliás, vale destacar que aqui o Mortifer Rage não padece daquele mal que vemos em alguns trabalhos do estilo, onde todas as músicas soam meio parecidas. Mostram uma diversidade bem interessante, já que alternam passagens mais cadenciadas com outras mais velozes. Ponto para o quarteto.


Descontando a introdução e uma faixa intrumental, temos 10 verdadeiras odes ao Death Metal. Aponto como destaques “Ethnocentrism”, faixa que prima pela agressividade e pelo belo trabalho da dupla baixo/bateria, a raivosa “The Hammer”, com boas mudanças de andamento que acabam por lhe dar grande variedade, “No Masters, No God”, pesada, bruta e com ótimo trabalho das guitarras, a insana “Doctrines of Death”, que se destaca por seus momentos velozes, e a impiedosa “Hate, My Offer”.

Gravado no Maçonaria do Áudio Studios (Nova Lima/MG), foi produzido, masterizado e mixado por André Damian. Está claro e audível, além de bem direto e com uma boa dose de crueza, que até cai bem para tal proposta sonora. Claro que ainda não está ideal e é algo que pode ser mais bem trabalhado no futuro, mas não compromete o resultado final. A capa é obra de Marlon Lima, com o design do encarte feito por Marco Túlio Alves. O resultado final ficou bem legal e condizente com a proposta da banda.

Sem inventar e investindo pesado naquele bom e velho Death Metal Tradicional, o Mortifer Rage presenteia a todos os fãs de música mais extrema com um trabalho técnico, agressivo, cru e bruto, feito sob medida para moer os pescoços alheios. Se for sua praia, vale a pena conhecer.

NOTA: 7,5

Mortifer Rage é:
- Carlos Pira (vocal/baixo);
- R. Amon (guitarra);
- Robert Aender (guitarra);
- Wesley Adrian (bateria).

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Venom Inc. - Avé (2017)


Venom Inc. - Avé (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional)


01. Avé Satanas
02. Forged in Hell    
03. Metal We Bleed    
04. Dein Fleisch    
05. Blood Stained    
06. Time to Die   
07. The Evil Dead    
08. Preacher Man    
09. War    
10. I Kneel to No God    
11. Black n' Roll

A importância do Venom para o Metal é inquestionável, e trabalhos como Welcome to Hell (81) e Black Metal (82) estão entre os mais influentes de todos os tempos. O trio original formado por Cronos, Mantas e Abaddom escreveu algumas das linhas mais importantes da história do estilo. Mas o caminho trilhado pelo grupo sempre foi conturbado, resultando em idas e vindas dos integrantes originais e em um Venom que, nos dias de hoje, se resume a Cronos e aos músicos que com ele estiverem.

Em uma dessas muitas idas e vindas, ainda nos anos 80, Jeffrey “Mantas” Dunn e Anthony “Abaddom” Bray se juntaram a Tony “Demolition Man” Dolan, que ocupou o lugar deixado por Cronos, e gravaram 3 álbuns, o clássico Prime Evil (89) e os bons Temples of Ice (91) e The Waste Land (92). Muitos anos depois, em uma dessas muitas voltas que o mundo dá, Jeff e Dolan se reencontraram no M-pire of Evil, e em 2015, durante a apresentação do grupo no Festival Keep it True, fizeram uma jam com Bray, tocando uma série de clássicos do Venom. Estava aí plantada a semente do Venon Inc.

Muitos fãs se questionam, afinal de contas, qual o verdadeiro Venom? O de Cronos ou o de Demolition, Mantas e Abaddom? Sinceramente, acredito que nem os músicos envolvidos em ambos os projetos estão preocupados com isso, pois querem apenas fazer o que mais gostam, ou seja, subir em um palco e apresentar um trabalho de qualidade. E bem, é isso que temos em Avé, álbum de estreia do Venom Inc, que possui o DNA inconfundível da banda. Músicas com estruturas simples, sem inventar ou inovar, e principalmente, aqueles riffs primitivistas com a típica assinatura de Mantas. Os vocais de Dolan se mostram perfeitos para as composições e a bateria de Abaddom faz bem o seu trabalho. Além do mais, aquele clima de escuridão paira sobre as canções, que esbanjam não só energia como também, pasmem, variedade. Sim, a diversidade dá o tom aqui, já que todos são músicos superiores ao que eram nos anos 80 (mesmo que não sejam um primor de técnica).

 

A primeira metade do álbum é praticamente perfeita. “Avé Satanas” abre os trabalhos exalando aquele clima profano e negro tão característico do Venom, com destaque para os ótimos riffs de guitarra. É também a música mais longa do trabalho, com mais de 8 minutos. “Forged in Hell” tem aquela pegada Speed Metal, com ótimas guitarras e um refrão que te pega de primeira, enquanto “Metal We Bleed” soa como uma versão demoníaca do Motörhead, além de ter uma linha de baixo bem marcante. “Dein Fleisch” é outra onde o baixo se destaca e soa blasfema desde o primeiro segundo. Possui ótima melodia, bom groove e tem tudo para se tornar clássica. Daí para a frente o álbum se torna um pouco irregular, tendo seus altos e baixos. “Blood Stained” soa um tanto maçante e poderia ser limada do tracklist sem muito drama. Já “Time to Die” e “The Evil Dead” trafegam pelo Thrash/Speed, com um bom trabalho de guitarra, e “Preacher” traz o groove e a melodia de volta à tona, sendo o principal destaque dessa segunda metade. Na sequência final, temos a boa e intensa “War”, a cadenciada e maligna “I Kneel to No God” e a mediana “Black n' Roll”.

Todo o processo de produção ficou nas mãos de Mantas, que realizou um trabalho de qualidade, com a mesma ficando bem equilibrada e esbanjando vigor. Já a arte e o layout foram obra do brasileiro Marcelo Vasco (Slayer, Kreator, Borknagar, Testament, Dimmu Borgir) e de Tony Dolan, sobre pintura de Milos Duskic. Tudo muito bem-feito e com a vantagem de vir em um digipack muito caprichado. Nos entregando exatamente o que esperamos, ou seja, um trabalho simples, enérgico e com aquela aura escura, Tony, Jeff e Anthony fizeram o melhor trabalho da banda desde Prime Evil. Até porque, sejamos sinceros, aqui o Venom Inc. soa mais Venom do que o próprio Venom em seus últimos álbuns.

NOTA: 8,5

Venom Inc. é:
-  Tony “Demolition Man” Dolan (vocal, baixo);
-  Jeffrey “Mantas” Dunn (guitarra);
-  Anthony “Abaddom” Bray (bateria).

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Motherwood – Motherwood (2017)


Motherwood – Motherwood (2017)
(Heavy Metal Rock - Nacional)


01. Sadness
02. Despair
03. Solitude
04. Coldness
05. Trauma
06. Faithlessness
07. Fear

Eis que após o single (resenha aqui) do mesmo nome, que contava com as faixas “Sadness” e “Coldness”, o duo originário de Americana/SP, formado por Guilherme Malosso (vocal/guitarra/baixo/bateria, Deathtron/Minottauro) e Yuri Camargo (bateria/ sintetizadores, Deathtron/Macatênia), nos apresenta seu primeiro trabalho completo. E se você já havia apreciado essa prévia, com certeza irá se deleitar com o que o Motherwood nos mostra em sua estreia.

Musicalmente, não temos nada diferente do esperado. Guilherme e Yuri praticam aquele Black Metal que tem seus pés bem fincados na segunda geração do Black Metal, surgida nos anos 90, que apresentou nomes inquestionáveis como Burzum, Emperor e Satyricon, mas com alguma coisa de Dimmu Borgir e saudáveis insights daquele Death/Doom do mesmo período. A diferença é que, apesar de suas influências serem perceptíveis, em momento algum soam como cópia. Graças à maturidade musical dos envolvidos, a música do Motherwood tem uma identidade sua.

Os vocais se mostram bem variados, indo desde às típicas vocalizações do Black Metal até aos guturais que nos remetem ao Death. A guitarra despeja riffs velozes, afiadíssimos e agressivos, enquanto a parte rítmica se mostra brutalmente pesada. Já o teclado é responsável pelas passagens climáticas e atmosféricas, que trazem um clima gélido e melancólico a todo o trabalho. Acima de tudo, a música do Motherwood se mostra densa, coesa, variada e muito bem arranjada.


O álbum abre com a já conhecida “Sadness”, que possui uma pegada mais melancólica e atmosférica, tendo sequência com “Despair”, diversificada e caótica, indo da velocidade do seu início para a cadência subsequente, além de contar com ótimas passagens atmosféricas. Já a fúnebre e pesada “Solitude” se destaca pelo peso e pelo bom uso dos teclados. Em seguida, mais uma já conhecida, a veloz e ríspida “Coldness”, com seus riffs cortantes e brutalidade de sobra. “Trauma” é outra que tem seus pés bem fincados no Black Metal, com boa dose de intensidade e boas passagens climáticas, enquanto “Faithlessness” equilibra bem momentos agressivos com outros mais introspectivos. O encerramento se dá com a instrumental “Fear”, bem climática e atmosférica.

Gravado, mixado e masterizado no Estúdio RG, o trabalho teve produção, mixagem e masterização realizadas pela própria dupla. O resultado é bom, já que apesar de estar tudo audível e claro, conseguiram manter a crueza e rispidez necessárias, além de uma dose equilibrada de sujeira. Já a parte gráfica ficou a cargo de Pablo Ardito e se encaixa perfeitamente na proposta sonora da banda.

Mesmo sem apresentar qualquer novidade, o Motherwood nos apresenta uma boa estreia, mostrando maturidade e muito equilíbrio, com uma música que consegue mesclar muito bem agressividade e melancolia. E repito sem medo o que falei ao resenhar o single tempos atrás: estamos diante de uma banda que vai agradar tanto aos fãs do Emperor quanto aos do Katatonia antigo. Mais um nome nacional que promete muito para os próximos anos.

NOTA: 8,0

Motherwood é:
- Guilherme Malosso (vocal/guitarra/baixo/bateria)
- Yuri Camargo (bateria/ sintetizadores)

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domingo, 5 de novembro de 2017

Melhores álbuns – Outubro de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de outubro na opinião do A Música Continua a Mesma.

 
 
  
 
 
 
 
 
 
     

Menções Honrosas

Ancient VVisdom - 33 
 
 
 

 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)


Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)
(Metal Blade - Importado)


01. Only One Will Die    
02. Red Before Black
03. Code of the Slashers
04. Shedding My Human Skin   
05. Remaimed
06. Firestorm Vengeance   
07. Heads Shoveled Off
08. Corpus Delicti   
09. Scavenger Consuming Death   
10. In the Midst of Ruin
11. Destroyed Without a Trace
12. Hideous Ichor

Simplesmente o maior nome do Death Metal de todos os tempos. Em quase 30 anos de carreira, o Cannibal Corpse desafiou lógicas e convenções. Apresentando uma sonoridade brutal, violenta e agressiva, abordando temas gore e macabros para a maioria dos mortais e apostando em capas repulsivas, o que gerou problemas com a censura de muitos países, conseguiram vender mais de 2 milhões de álbuns em todo o mundo, algo impensável para uma banda de tal estilo e temática.

E isso se torna ainda mais impensável quando constatamos que, ao contrário do que se esperaria de uma banda que está na estrada há tanto tempo e com tal sucesso comercial, o Cannibal Corpse não fez concessões em seu som, não o deixou mais palatável e nem aderiu a modernidades e experimentos. Ao contrário, sempre mantiveram o pé enfiado no acelerador e nunca abandonaram aquele Death Metal selvagem, pútrido e esporrento de outrora. Claro, nesse meio tempo evoluíram no quesito técnica, mas a sua essência musical se manteve a mesma. São fiéis aos seus fãs, e estes são mais que fiéis à banda.

Red Before Black é seu 14º álbum de estúdio e vem suceder o não menos que clássico A Skeletal Domain, de 2014. E se esse último soava mais escuro e sombrio, aqui temos uma banda mais selvagem, implacável e um pouco menos preocupada com o quesito técnica, soando assim ainda mais feroz que de costume. Os vocais de George "Corpsegrinder" Fisher continuam brutais, enquanto as guitarras de Rob Barrett e Pat O'Brien despejam ótimos riffs, além de solos que esbanjam selvageria. Na parte rítmica, Alex Webster e Paul Mazurkiewicz esbanjam peso, boa técnica e bastante variedade. Em suma, tudo que o fã sempre espera.


Como sempre, estamos diante de um trabalho bem variado, onde partes velozes e agressivas se alternam muitíssimo bem com outras mais cadenciadas e brutas. “Only One Will Die”, com seu esmagador riff de abertura, se mostra uma escolha perfeita para a abertura. “Red Before Black” tem uma saudável pegada Thrash, enquanto a espetacular “Code of the Slashers”, com sua introdução cadenciada e brutalidade posterior, deve se tornar um clássico da banda. Ótimos momentos cadenciados também dão as caras em “Remaimed”, uma típica faixa do Cannibal Corpse, “Firestorm Vengeance”, “Corpus Delicti” e “Hideous Ichor”. Já “Scavenger Consuming Death” se destaca pela ótima linha de baixo de Alex, enquanto “In the Midst of Ruin” e “Destroyed Without a Trace” se mostram simplesmente esmagadoras.

A produção voltou a ficar nas mãos de ninguém menos que Erik Rutan e está excelente, com a bateria soando mais à frente que nos álbuns anteriores. Mantendo a tradição, a capa mais uma vez é obra de Vince Locke e é uma das mais legais da banda até hoje, saindo um pouco do usual. Pode uma banda lançar “o mesmo álbum” 14 vezes e ainda assim não se repetir e soar genial? Bem, com Red Before Black prova que sim. Violento, rápido, técnico e soando mais selvagem do que nunca, o Cannibal Corpse não mostra qualquer sinal de cansaço, e entrega aos fãs de Death Metal o provável melhor álbum do estilo em 2017.

NOTA: 9,0

- George "Corpsegrinder" Fisher (vocal);
- Rob Barrett (guitarra);
- Pat O'Brien (guitarra);
- Alex Webster (baixo);
- Paul Mazurkiewicz (bateria).

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Human - Sad Modern World (2016)


Human - Sad Modern World (2016)
(Headcrusher Produções/A Fronteira Produções/Insulto Produções/Ihells Productions/Bixo Grilo/Odicelaf/Holocaust Prod. - Nacional)


01. Beyond Good and Evil
02. Make Your Choice
03. Sad Modern World
04. Evolution at Any Cost
05. Checkmate
06. We Can Live Our Time
07. Sweet Home of Stars
08. Ideal Created, Reality Denied
09. Break The Chains of Your Mind

Oriundo de Feira de Santana/BA e com 10 anos de estrada, o Human tem aquela trajetória típica de boa parte das bandas de nosso underground. Começou fazendo covers de Black Sabbath e Dio, até que sentiu a necessidade de dar espaço às suas ideias próprias. Lançaram um EP no ano de 2012, Leaving the Shadows, e finalmente chegam ao seu tão esperado debut. E o que esperar da estreia do quarteto formado por Pedro Neto (vocal), Níass (guitarra), Rafael Sampaio (baixo) e Clauzio Maia (bateria)?

Musicalmente falando, estamos diante de uma banda que mescla o bom e velho Heavy Metal Tradicional de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e Iron Maiden, com o Prog Metal que nos acostumamos a escutar em bandas como Queensrÿche e Symphony X. Isso acaba por gerar uma música bem arranjada, com boa técnica, peso e coesão. Sua música mostra-se intrincada na medida certa, sem exageros masturbatórios, e com muitas mudanças de tempo, o que acaba por gerar uma saudável diversificação.

As linhas vocais de Pedro Neto são boas, fortes e responsáveis por melodias agradáveis, com o mérito de ele não exagerar nos tons mais altos, uma falha que muitos vocalistas por aí cometem. A guitarra de Níass não esconde a influência de Tony Iommi e nos presenteia com bons riffs, além de solos bem elegantes. Na parte rítmica, Rafael Sampaio imprime linhas de baixo fortes e marcantes, enquanto Clauzio Maia imprime peso e variedade com sua bateria.

São 9 músicas que mostram boa qualidade, com destaques maiores para “Beyond Good and Evil”, intensa e que reflete bem a mescla de estilos executada pelo Human, a sabbathica “Sad Modern World”, a Prog “Evolution at Any Cost”, onde se sobressai o belíssimo trabalho de guitarra, “Sweet Home of Stars”, que mescla de forma bem interessante aquele Classic Rock setentista com Heavy Metal Tradicional, cativando assim o ouvinte, e “Break The Chains of Your Mind”, com peso de sobra, boa técnica, e que encerra muito bem o trabalho.


Gravado no Revolution Studio (Salvador/BA) e produzido, mixado e masterizado por Marcos Franco, Sad Modern World tem seu calcanhar de Aquiles justamente na produção. Entendam, não é que ela seja ruim, está audível, clara e você consegue escutar os instrumentos com clareza, mas os timbres poderiam ter sido um pouco melhor escolhidos e, principalmente, poderia e deveria ser menos crua. A proposta musical do Human pede sim algo mais polido, mas bem trabalhado, e o excesso de crueza te deixa com aquela sensação incômoda de que o resultado final poderia ser superior ao que escutamos aqui. Quanto à parte gráfica, concebida por Alexandre Damas, ficou muito bem feita. E o mais legal é que colocaram as letras em inglês e português no encarte, mostrando uma preocupação pouco vista por aí com a questão da absorção da mensagem por parte do ouvinte (já que, convenhamos, nem todos entendem inglês).

Mostrando bom gosto, competência e técnica, e executando uma música pesada e enérgica, o Human se sai bem em seu primeiro álbum completo, mostrando um potencial muito grande que pode e merece ser explorado. É só fazerem alguns pequenos ajustes, principalmente no que tange à produção, e estarão mais do que prontos para voos bem mais altos.

NOTA: 7,5

Human é:
- Pedro Neto (vocal);
- Níass (guitarra);
- Rafael Sampaio (baixo);
- Clauzio Maia (bateria).

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sábado, 28 de outubro de 2017

Moonspell – 1755 (2017)


Moonspell – 1755 (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Em Nome do Medo
02. 1755
03. In Tremor Dei
04. Desastre
05. Abanão
06. Evento
07. 1 de Novembro
08. Ruínas
09. Todos os Santos
10. Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso Cover)

Lisboa, 1 de Novembro de 1755. Era a manhã do Dia de Todos os Santos, com Igrejas e ruas lotadas por sua população, extremamente devota ao catolicismo. E quando falamos de Lisboa dessa época, é de uma cidade que se diferenciava muito do que conhecemos hoje, pois tinha um aspecto tipicamente medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Sua população era estimada em 300 mil habitantes. Sendo assim, imaginem a aglomeração de pessoas nessas mesmas ruas, nessa manhã de feriado religioso. Eis então que entre 9:30 e 9:40 da manhã, o mundo pareceu acabar.

Um terremoto com epicentro no mar, que atingiu entre 8,7 e 9,0 na escala Richter (que vai até 10), caiu em cheio sobre a cidade. Estima-se que 1/3 de suas construções ruíram nesse momento. As réplicas foram sentidas por um período de mais de 2 horas. Uma parte dos sobreviventes correu para a zona portuária, para nela se abrigar, sem imaginar o que estava por vir. O mar se retraiu, a ponto de poder ser avistado seu fundo, além de destroços de navios e cargas perdidas, e pouco depois um tsunami, com ondas de até 20 metros, atingiu Lisboa, varrendo cidade adentro e inundando diversas áreas. Imaginem o tamanho do terror que se espalhou entre a devota população lisboeta enquanto tudo isso ocorria. E como se não bastasse, boa parte do que ficou em pé acabou consumida por incêndios que duraram cerca de 5 dias. Estudos modernos estimam que cerca de 85% das construções foram destruídas e que algo entre 70 mil e 90 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas.


O impacto que tal desastre teve na sociedade portuguesa foi profundo. Pode-se dizer que mudou a história do país. E foi desse acontecimento que o Moonspell resolveu tratar em seu 12º trabalho de estúdio, simplesmente intitulado 1755. E para aumentar a força de tal escolha, optaram por cantar todas as canções em seu idioma pátrio, o que adianto desde já, foi realmente a escolha mais correta. Cantar na língua portuguesa não é uma novidade para o grupo, já que em diversos momentos da carreira o fizeram, sempre obtendo ótimos resultados, e sendo assim, tal opção não deveria ser motivo de preocupação para os fãs. Ao contrário, é algo a ser louvado, visto que muitos já sonhavam com a oportunidade de escutar um álbum todo cantado em português.

Musicalmente, uma coisa é indiscutível. O Moonspell sempre prezou pela integridade, por fazer o que quis, mesmo que isso tenha tido resultado discutíveis em alguns momentos, como The Butterfly Effect (99) e Darkness and Hope (01). Também não dá para discutir que mesmo em seus momentos mais questionáveis, conseguiu manter uma identidade sua, que é a mescla de agressividade com boas melodias góticas, além de sempre buscar não se repetir. Diversidade é uma palavra que se encaixa bem em sua obra. E olhe, podemos dizer que também pode ser aplicada em 1755, seu trabalho mais variado e rico até hoje.


Eis um álbum fascinante, que a cada audição cresce aos nossos ouvidos, pois vamos captando cada detalhe existente nele (e que não são poucos). Temos aqui uma incrível junção de Doom, Gothic Metal e Metal Sinfônico, onde momentos agressivos convivem com passagens épicas e grandiosas, com grandes coros e orquestrações, além de claro, aquele goticismo inerente à música do Moonspell. Além disso, conseguem de uma forma simplesmente incrível transpor para as canções a dor dos que sofreram com a devastação de 1755. Sua música é profunda, altamente emocional e em muitas passagens, você consegue se sentir vivendo o acontecimento. Você sente o terror do momento. Quantas bandas por aí podem se gabar de conseguir alcançar tal resultado? Poucas, amigos, bem poucas.

De cara, temos uma nova versão para “Em Nome do Medo”, uma das melhores canções de Alpha Noir, álbum de 2012. A letra se encaixa perfeitamente dentro do contexto do trabalho, e ganhou arranjos orquestrais simplesmente incríveis. Os vocais de Fernando, as orquestrações, os corais, tudo isso acabou por criar um clima de escuridão que soa perfeito para abrir um trabalho dessa magnitude. Na sequência, “1755” chega carregada de vigor e de força. Com uma diversidade impressionante, se destaca não só pelos riffs, como por suas partes sinfônicas, pelos coros e por uma saudável influência de sonoridades orientais. Em seguida, temos um dos pontos altos do álbum, a poderosa “In Tremor Dei”, canção recheada de detalhes, com um trabalho incrível do baixista Aires Pereira e participação mais do que especial do fadista Paulo Bragança, que terminou por dar grande profundidade e emoção à composição. “Desastre” chega intensa, escura e pesada, com ótimo trabalho vocal e um clima teatral que lhe faz profunda. Encerrando a primeira metade, temos “Abanão”, com boa dose de agressividade, ótimos coros e trabalho primoroso do baterista Miguel Gaspar.


A segunda metade abre com a ótima “Evento”, a mais diversificada de 1755. Aqui, além de ótimas melodias, temos uma alternância muito legal de passagens mais agressivas e velozes, com outras mais atmosféricas. As guitarras de Pedro Paixão e Ricardo Amorim também executam um belíssimo trabalho, com ótimos riffs e solo, algo que se repete na música seguinte, “1 de Novembro”. Aqui, temos boas melodias, ótimas orquestrações e mudanças de tempo interessantes. Já “Ruínas” possui uma forte carga emocional, com certa carga de melancolia e uma aura de desespero. Além disso, é outra que tem ótima utilização de elementos orientais. “Todos os Santos” é, sem sombra alguma, uma das mais fortes canções aqui presentes. É daquelas músicas onde o Moonspell mostra toda a sua capacidade de unir passagens mais agressivas com boas melodias e uma pegada gótica. Reflete perfeitamente o que é a banda. Encerrando o álbum, uma surpreendente versão para “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, uma música que nós brasileiros conhecemos muito bem. Peso e suavidade, características antagônicas em um primeiro momento, se unem para gerar uma aura triste, escura e melancólica, que se destaca principalmente pelas belíssimas orquestrações (o piano ficou perfeito aqui) e se mostra o encerramento perfeito para o álbum.

A produção ficou por conta do dinamarquês Tue Madsen, que já trabalhou com a banda no passado, e o resultado é simplesmente incrível. A forma como ele conseguiu deixar o som limpo e claro, a ponto de escutarmos cada detalhe, mas sem tirar a agressividade e o peso, foi simplesmente incrível. Uma das melhores produções que escutei em 2017. Já a bela capa é obra do português João Diogo e reflete perfeitamente o conteúdo lírico do álbum. Com um trabalho simplesmente fascinante e viciante, o Moonspell parece ter alcançado seu auge e conseguido o que parecia improvável, superar os clássicos Wolfheart (95) e Irreligious (96). Emocional, como o tema pede, 1755 se credencia como sério concorrente a melhor álbum de 2017. Não acredita? Então escute e tire suas próprias conclusões.

NOTA: 9,5

Moonspell é:
- Fernando Ribeiro (vocal);
- Pedro Paixão (guitarra/teclado);
- Ricardo Amorim (guitarra);
- Aires Pereira (baixo);
- Miguel Gaspar (bateria).

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Paradise Lost – Medusa (2017)


Paradise Lost – Medusa (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Fearless Sky
02. Gods of Ancient
03. From the Gallows
04. The Longest Winter
05. Medusa
06. No Passage for the Dead
07. Blood & Chaos
08. Until the Grave
09. Shrines
10. Symbolic Virtue

Com seu debut, Lost Paradise (90), o Paradise Lost assumiu a liderança do movimento Death/Doom. Com seu sucessor, Gothic (91), lançaram as bases do que viria a ser o Gothic Metal, estilo aperfeiçoado nos dois trabalhos seguintes, Shades of God (92) e Icon (93), e que encontrou a perfeição no irretocável Draconian Times. Com One Second (97), começaram um mergulho em suas raízes Goth/Synthpop oitentistas, o que acabou por resultar no melhor álbum do Depeche Mode não lançado pelo Depeche Mode, Host (99), incompreendido por boa parte dos fãs na época, mas hoje respeitado como um dos bons trabalhos de sua carreira. Ok, erraram a mão em Believe In Nothing (01), mas seu fraco resultado talvez tenha se dado muito mais pela interferência da EMI no processo de masterização (sem o conhecimento da banda) do que qualquer outra coisa.

Curiosamente, daí para frente começaram a seguir o caminho inverso. Se Symbol of Life (02) soava quase como uma continuação de One Second, Paradise Lost (05) marcou o retorno dos ingleses ao Doom, ainda que com forte influência gótica, terreno no qual se mantiveram firmes nos álbuns seguintes, In Requiem (07) e o ótimo Faith Divides Us - Death Unites Us (09). Já Tragic Idol (12) deu um passo além e levou sua música de volta ao período da dobradinha Icon/Draconian Times (para muitos, sua melhor fase), impressionando os fãs com sua qualidade. Não satisfeitos, se aprofundaram ainda mais em sua história em The Plague Within (15), colocando um pé em seu passado Death/Doom, com momentos que poderiam estar sem esforço algum em Gothic ou Shades of God. 


Como é possível observar, o Paradise Lost sempre foi uma banda inquieta e que em momento algum se dobrou a pressões. Sempre fez o que quis, quando quis, mesmo que dessa forma tenha colocado sua carreira em risco em alguns momentos. Sua integridade é o seu maior patrimônio. Fora isso, independentemente da fase e da sonoridade adotada, sempre existiu um DNA que fazia com que nos fosse possível identificá-los. Existe uma melancolia em suas canções que só eles conseguem imprimir, algo inimitável. Esse acaba por ser o fio condutor que consegue unir álbuns tão díspares como Lost Paradise, Draconian Times e Host. Nesses quase 30 anos de carreira, optaram por ser uma banda de vanguarda, aquela que desbrava os caminhos que virão a ser seguidos por seus parceiros, e foram muito felizes nessa missão.

E sempre guiados pelo instinto e principalmente, soando absolutamente espontâneos, os ingleses de Halifax chegam a Medusa, seu 15º álbum de estúdio, mantendo os dois pés bem firmes em suas raízes mais pesadas, mas sem abrir mão daquelas melodias marcantes que marcaram toda a sua carreira. E ouso dizer que aqui temos um trabalho que consegue soar ainda mais pesado, escuro e melancólico que The Plague Within, em um mergulho ainda mais profundo no Death/Doom do passado (claro que de uma forma muito mais refinada), e se aprofundando ainda mais nas influências oriundas de Gothic e Shades of God observadas no CD anterior.

Apesar de boa parte das músicas ser arrastada e ter aquela aura desoladora, Medusa é um trabalho que prima pela diversidade, pela riqueza musical. Diversificado, nos permite observar muitas mudanças de estrutura nas canções, além de uma variedade vocal muito grande, já que Nick Holmes  vai desde os guturais típicos do Death/Doom, até os vocais mais melodiosos que marcaram os momentos mais góticos da banda. Outro foco de diversidade está no ótimo trabalho das guitarras de Gregor Mackintosh e Aaron Aedy, que mostram aqui a excelência que lhes é imputada. Riffs que estão entre os melhores já compostos pela banda, lentos, além de solos melodiosos, fazem parte do repertório da dupla. O baixo de Stephen Edmondson soa com aquela solidez de sempre, além de muito pesado, enquanto o estreante baterista Waltteri Väyrynen (que, com seus 23 anos, sequer era nascido quando o Paradise Lost surgiu), parece ter trazido mais vitalidade ao som da banda, realizando um belo trabalho e se mostrando um substituto mais que à altura de Adrian Erlandsson.


O álbum abre com “Fearless Sky”, que já mostra de cara qual vai ser a pegada de Medusa. Lenta, densa, forte e pesada, tem aquela melancolia que é inerente ao Paradise Lost, além de um trabalho diversificado de Nick nos vocais. “Gods of Ancient” tem um ar sombrio (principalmente no que tange o trabalho vocal), enquanto “From the Gallows” se destaca pelo belo trabalho de bateria. Já a excelente “The Longest Winter” certamente entrará para o hall das músicas clássicas do Paradise Lost, trazendo quele ar gótico típico do Draconian Times, com ótimos vocais limpos de Holmes, características que se repete na elegante “Medusa”. A arrastada “No Passage for the Dead” traz os vocais guturais de volta ao jogo, além de contar com ótimas melodias de guitarra e muito peso. “Blood & Chaos” é a faixa “diferentona” do álbum, já que é mais acelerada e tem o apelo gótico mais forte de todas aqui presentes. “Until the Grave” encerra a versão padrão de Medusa mantendo todas as qualidades inerentes ao álbum. Na versão nacional, temos mais duas músicas, “Shrines”, com suas ótimas melodias, e a fortíssima “Symbolic Virtue”, que merecia ser mais do que uma bônus, pela qualidade aqui apresentada.

Gravado no Orgone Studios, mais uma vez, a produção, mixagem e masterização foram realizadas por Jaime Gomez Arellano (Cathedral, Ghost, Fen, Sólstafir), com ótimo resultado final. O trabalho de arte ficou por conta do Branca Studio, tendo ficado muito bom. Sombrio e desolador, Medusa é um pouco mais difícil que The Plague Within, não soa tão avassalador já na primeira audição, mas à medida que você vai escutando o mesmo, ele cresce de uma forma incrível e se torna único e poderoso. É um álbum que, acima de tudo, é capaz de despertar emoções profundas no ouvinte. Em resumo, um típico trabalho do Paradise Lost. Pode uma banda chegar ao auge de sua carreira mais de uma vez? Bem, aqui temos a prova que sim. Nasce mais um clássico!

NOTA: 9,0

Paradise Lost é:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria).

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)


Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)
(Independent - Nacional)


01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca

É louvável o crescimento de bandas brasileiras que optam por mesclar elementos tipicamente brasileiros (tanto na parte musical quanto na lírica) ao seu Heavy Metal. Em uma cultura tão rica quanto a nossa, esse tipo de fusão pode gerar resultados muito positivos. O Tupi Nambha é uma banda relativamente nova, surgida em Recanto das Emas/DF no ano de 2016 pelas mãos de Marcos Loiola (vocal) e Rogério Delevedove (guitarra), mas que, não disposta a perder tempo, já foi tratando de soltar seu EP de estreia.

A proposta aqui é muito clara. Sobre uma base que em muitos momentos remete ao Thrash/Groove Metal, incorporaram elementos musicais típicos de nossa cultura, com letras cantadas no idioma Tupi e que trata da etnia dos Tupinambás, que habitavam áreas do nosso litoral, na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo no período da chegada dos colonizadores portugueses no Brasil. E apesar do pouco tempo de estrada, mostram uma capacidade ímpar de equilibrar todos os elementos presentes em sua sonoridade de uma forma muito coesa, algo que não é lá muito simples de se fazer. Não é à toa que fazem parte do movimento Levante do Metal Nativo, ao lado de bandas como Tamuya Thrash Tribe, Armahda, Voodoopriest, Cangaço, Hate Embrace e MorrigaM.

Esse citado equilíbrio entre elementos étnicos, melodia e agressividade é decididamente o grande diferencial do Tupi Nambha. Abrem o EP com “Invasão Alienígena”, música onde os destaques ficam com os trabalhos vocal e percussivo. “Antropofagia” segue na mesma pegada, com a guitarra tendo seus momentos de destaque, graças aos ótimos riffs. Já “Tribo em Guerra” se mostra muito diversificada e com muitas mudanças de tempo, além de possuir um refrão que empolga, enquanto em “Tupi Nambha” a parte rítmica se destaca demais.
 

Já “Galdino Pataxó” é uma justa homenagem ao líder indígena Galdino Jesus dos Santos, que foi queimado vivo em Brasília no ano de 1997, por 5 jovens de classe alta da cidade que, apesar de condenados, acabaram não cumprindo sua sentença, já que possuíam pais muito influentes. É a mais tribal de todas as canções e não soa exagero afirmar que tem algo de Chico Science e Nação Zumbi na mesma. Encerrando o trabalho, temos uma bela sequência com “Feiticeiro”, cadenciada, pesada e com momentos que podem remeter ao Black Sabbath, e “Ayahuasca”, outra que abusa do peso e da intensidade.

Gravado, mixado e masterizado no estúdio Broadband, com produção de Caio Cortonesi (Dynahead, Arandu Arakuaa, Omfalos Miasthenia), o resultado é muito bom, já que está limpo, audível e com uma dose certeira de crueza (algo em que muitas bandas por aí erram a mão). Já a parte gráfica ficou por conta de João Rafael e do estúdio Fábula Ilustrações, com resultados muito legais. No fim, temos uma banda que não tem medo de arriscar e inovar em busca de sua identidade, mostrando um potencial latente de estar entre os principais nomes do Metal no Brasil muito em breve.

NOTA: 8,0

Tupi Nambha é:
- Loiola (vocal);
- Rogério Delevedove (guitarra).

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

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Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

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