segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)


Cannibal Corpse - Red Before Black (2017)
(Metal Blade - Importado)


01. Only One Will Die    
02. Red Before Black
03. Code of the Slashers
04. Shedding My Human Skin   
05. Remaimed
06. Firestorm Vengeance   
07. Heads Shoveled Off
08. Corpus Delicti   
09. Scavenger Consuming Death   
10. In the Midst of Ruin
11. Destroyed Without a Trace
12. Hideous Ichor

Simplesmente o maior nome do Death Metal de todos os tempos. Em quase 30 anos de carreira, o Cannibal Corpse desafiou lógicas e convenções. Apresentando uma sonoridade brutal, violenta e agressiva, abordando temas gore e macabros para a maioria dos mortais e apostando em capas repulsivas, o que gerou problemas com a censura de muitos países, conseguiram vender mais de 2 milhões de álbuns em todo o mundo, algo impensável para uma banda de tal estilo e temática.

E isso se torna ainda mais impensável quando constatamos que, ao contrário do que se esperaria de uma banda que está na estrada há tanto tempo e com tal sucesso comercial, o Cannibal Corpse não fez concessões em seu som, não o deixou mais palatável e nem aderiu a modernidades e experimentos. Ao contrário, sempre mantiveram o pé enfiado no acelerador e nunca abandonaram aquele Death Metal selvagem, pútrido e esporrento de outrora. Claro, nesse meio tempo evoluíram no quesito técnica, mas a sua essência musical se manteve a mesma. São fiéis aos seus fãs, e estes são mais que fiéis à banda.

Red Before Black é seu 14º álbum de estúdio e vem suceder o não menos que clássico A Skeletal Domain, de 2014. E se esse último soava mais escuro e sombrio, aqui temos uma banda mais selvagem, implacável e um pouco menos preocupada com o quesito técnica, soando assim ainda mais feroz que de costume. Os vocais de George "Corpsegrinder" Fisher continuam brutais, enquanto as guitarras de Rob Barrett e Pat O'Brien despejam ótimos riffs, além de solos que esbanjam selvageria. Na parte rítmica, Alex Webster e Paul Mazurkiewicz esbanjam peso, boa técnica e bastante variedade. Em suma, tudo que o fã sempre espera.


Como sempre, estamos diante de um trabalho bem variado, onde partes velozes e agressivas se alternam muitíssimo bem com outras mais cadenciadas e brutas. “Only One Will Die”, com seu esmagador riff de abertura, se mostra uma escolha perfeita para a abertura. “Red Before Black” tem uma saudável pegada Thrash, enquanto a espetacular “Code of the Slashers”, com sua introdução cadenciada e brutalidade posterior, deve se tornar um clássico da banda. Ótimos momentos cadenciados também dão as caras em “Remaimed”, uma típica faixa do Cannibal Corpse, “Firestorm Vengeance”, “Corpus Delicti” e “Hideous Ichor”. Já “Scavenger Consuming Death” se destaca pela ótima linha de baixo de Alex, enquanto “In the Midst of Ruin” e “Destroyed Without a Trace” se mostram simplesmente esmagadoras.

A produção voltou a ficar nas mãos de ninguém menos que Erik Rutan e está excelente, com a bateria soando mais à frente que nos álbuns anteriores. Mantendo a tradição, a capa mais uma vez é obra de Vince Locke e é uma das mais legais da banda até hoje, saindo um pouco do usual. Pode uma banda lançar “o mesmo álbum” 14 vezes e ainda assim não se repetir e soar genial? Bem, com Red Before Black prova que sim. Violento, rápido, técnico e soando mais selvagem do que nunca, o Cannibal Corpse não mostra qualquer sinal de cansaço, e entrega aos fãs de Death Metal o provável melhor álbum do estilo em 2017.

NOTA: 9,0

- George "Corpsegrinder" Fisher (vocal);
- Rob Barrett (guitarra);
- Pat O'Brien (guitarra);
- Alex Webster (baixo);
- Paul Mazurkiewicz (bateria).

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Human - Sad Modern World (2016)


Human - Sad Modern World (2016)
(Headcrusher Produções/A Fronteira Produções/Insulto Produções/Ihells Productions/Bixo Grilo/Odicelaf/Holocaust Prod. - Nacional)


01. Beyond Good and Evil
02. Make Your Choice
03. Sad Modern World
04. Evolution at Any Cost
05. Checkmate
06. We Can Live Our Time
07. Sweet Home of Stars
08. Ideal Created, Reality Denied
09. Break The Chains of Your Mind

Oriundo de Feira de Santana/BA e com 10 anos de estrada, o Human tem aquela trajetória típica de boa parte das bandas de nosso underground. Começou fazendo covers de Black Sabbath e Dio, até que sentiu a necessidade de dar espaço às suas ideias próprias. Lançaram um EP no ano de 2012, Leaving the Shadows, e finalmente chegam ao seu tão esperado debut. E o que esperar da estreia do quarteto formado por Pedro Neto (vocal), Níass (guitarra), Rafael Sampaio (baixo) e Clauzio Maia (bateria)?

Musicalmente falando, estamos diante de uma banda que mescla o bom e velho Heavy Metal Tradicional de nomes como Judas Priest, Black Sabbath e Iron Maiden, com o Prog Metal que nos acostumamos a escutar em bandas como Queensrÿche e Symphony X. Isso acaba por gerar uma música bem arranjada, com boa técnica, peso e coesão. Sua música mostra-se intrincada na medida certa, sem exageros masturbatórios, e com muitas mudanças de tempo, o que acaba por gerar uma saudável diversificação.

As linhas vocais de Pedro Neto são boas, fortes e responsáveis por melodias agradáveis, com o mérito de ele não exagerar nos tons mais altos, uma falha que muitos vocalistas por aí cometem. A guitarra de Níass não esconde a influência de Tony Iommi e nos presenteia com bons riffs, além de solos bem elegantes. Na parte rítmica, Rafael Sampaio imprime linhas de baixo fortes e marcantes, enquanto Clauzio Maia imprime peso e variedade com sua bateria.

São 9 músicas que mostram boa qualidade, com destaques maiores para “Beyond Good and Evil”, intensa e que reflete bem a mescla de estilos executada pelo Human, a sabbathica “Sad Modern World”, a Prog “Evolution at Any Cost”, onde se sobressai o belíssimo trabalho de guitarra, “Sweet Home of Stars”, que mescla de forma bem interessante aquele Classic Rock setentista com Heavy Metal Tradicional, cativando assim o ouvinte, e “Break The Chains of Your Mind”, com peso de sobra, boa técnica, e que encerra muito bem o trabalho.


Gravado no Revolution Studio (Salvador/BA) e produzido, mixado e masterizado por Marcos Franco, Sad Modern World tem seu calcanhar de Aquiles justamente na produção. Entendam, não é que ela seja ruim, está audível, clara e você consegue escutar os instrumentos com clareza, mas os timbres poderiam ter sido um pouco melhor escolhidos e, principalmente, poderia e deveria ser menos crua. A proposta musical do Human pede sim algo mais polido, mas bem trabalhado, e o excesso de crueza te deixa com aquela sensação incômoda de que o resultado final poderia ser superior ao que escutamos aqui. Quanto à parte gráfica, concebida por Alexandre Damas, ficou muito bem feita. E o mais legal é que colocaram as letras em inglês e português no encarte, mostrando uma preocupação pouco vista por aí com a questão da absorção da mensagem por parte do ouvinte (já que, convenhamos, nem todos entendem inglês).

Mostrando bom gosto, competência e técnica, e executando uma música pesada e enérgica, o Human se sai bem em seu primeiro álbum completo, mostrando um potencial muito grande que pode e merece ser explorado. É só fazerem alguns pequenos ajustes, principalmente no que tange à produção, e estarão mais do que prontos para voos bem mais altos.

NOTA: 7,5

Human é:
- Pedro Neto (vocal);
- Níass (guitarra);
- Rafael Sampaio (baixo);
- Clauzio Maia (bateria).

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sábado, 28 de outubro de 2017

Moonspell – 1755 (2017)


Moonspell – 1755 (2017)
(Napalm Records – Importado)


01. Em Nome do Medo
02. 1755
03. In Tremor Dei
04. Desastre
05. Abanão
06. Evento
07. 1 de Novembro
08. Ruínas
09. Todos os Santos
10. Lanterna dos Afogados (Paralamas do Sucesso Cover)

Lisboa, 1 de Novembro de 1755. Era a manhã do Dia de Todos os Santos, com Igrejas e ruas lotadas por sua população, extremamente devota ao catolicismo. E quando falamos de Lisboa dessa época, é de uma cidade que se diferenciava muito do que conhecemos hoje, pois tinha um aspecto tipicamente medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Sua população era estimada em 300 mil habitantes. Sendo assim, imaginem a aglomeração de pessoas nessas mesmas ruas, nessa manhã de feriado religioso. Eis então que entre 9:30 e 9:40 da manhã, o mundo pareceu acabar.

Um terremoto com epicentro no mar, que atingiu entre 8,7 e 9,0 na escala Richter (que vai até 10), caiu em cheio sobre a cidade. Estima-se que 1/3 de suas construções ruíram nesse momento. As réplicas foram sentidas por um período de mais de 2 horas. Uma parte dos sobreviventes correu para a zona portuária, para nela se abrigar, sem imaginar o que estava por vir. O mar se retraiu, a ponto de poder ser avistado seu fundo, além de destroços de navios e cargas perdidas, e pouco depois um tsunami, com ondas de até 20 metros, atingiu Lisboa, varrendo cidade adentro e inundando diversas áreas. Imaginem o tamanho do terror que se espalhou entre a devota população lisboeta enquanto tudo isso ocorria. E como se não bastasse, boa parte do que ficou em pé acabou consumida por incêndios que duraram cerca de 5 dias. Estudos modernos estimam que cerca de 85% das construções foram destruídas e que algo entre 70 mil e 90 mil pessoas tiveram suas vidas ceifadas.


O impacto que tal desastre teve na sociedade portuguesa foi profundo. Pode-se dizer que mudou a história do país. E foi desse acontecimento que o Moonspell resolveu tratar em seu 12º trabalho de estúdio, simplesmente intitulado 1755. E para aumentar a força de tal escolha, optaram por cantar todas as canções em seu idioma pátrio, o que adianto desde já, foi realmente a escolha mais correta. Cantar na língua portuguesa não é uma novidade para o grupo, já que em diversos momentos da carreira o fizeram, sempre obtendo ótimos resultados, e sendo assim, tal opção não deveria ser motivo de preocupação para os fãs. Ao contrário, é algo a ser louvado, visto que muitos já sonhavam com a oportunidade de escutar um álbum todo cantado em português.

Musicalmente, uma coisa é indiscutível. O Moonspell sempre prezou pela integridade, por fazer o que quis, mesmo que isso tenha tido resultado discutíveis em alguns momentos, como The Butterfly Effect (99) e Darkness and Hope (01). Também não dá para discutir que mesmo em seus momentos mais questionáveis, conseguiu manter uma identidade sua, que é a mescla de agressividade com boas melodias góticas, além de sempre buscar não se repetir. Diversidade é uma palavra que se encaixa bem em sua obra. E olhe, podemos dizer que também pode ser aplicada em 1755, seu trabalho mais variado e rico até hoje.


Eis um álbum fascinante, que a cada audição cresce aos nossos ouvidos, pois vamos captando cada detalhe existente nele (e que não são poucos). Temos aqui uma incrível junção de Doom, Gothic Metal e Metal Sinfônico, onde momentos agressivos convivem com passagens épicas e grandiosas, com grandes coros e orquestrações, além de claro, aquele goticismo inerente à música do Moonspell. Além disso, conseguem de uma forma simplesmente incrível transpor para as canções a dor dos que sofreram com a devastação de 1755. Sua música é profunda, altamente emocional e em muitas passagens, você consegue se sentir vivendo o acontecimento. Você sente o terror do momento. Quantas bandas por aí podem se gabar de conseguir alcançar tal resultado? Poucas, amigos, bem poucas.

De cara, temos uma nova versão para “Em Nome do Medo”, uma das melhores canções de Alpha Noir, álbum de 2012. A letra se encaixa perfeitamente dentro do contexto do trabalho, e ganhou arranjos orquestrais simplesmente incríveis. Os vocais de Fernando, as orquestrações, os corais, tudo isso acabou por criar um clima de escuridão que soa perfeito para abrir um trabalho dessa magnitude. Na sequência, “1755” chega carregada de vigor e de força. Com uma diversidade impressionante, se destaca não só pelos riffs, como por suas partes sinfônicas, pelos coros e por uma saudável influência de sonoridades orientais. Em seguida, temos um dos pontos altos do álbum, a poderosa “In Tremor Dei”, canção recheada de detalhes, com um trabalho incrível do baixista Aires Pereira e participação mais do que especial do fadista Paulo Bragança, que terminou por dar grande profundidade e emoção à composição. “Desastre” chega intensa, escura e pesada, com ótimo trabalho vocal e um clima teatral que lhe faz profunda. Encerrando a primeira metade, temos “Abanão”, com boa dose de agressividade, ótimos coros e trabalho primoroso do baterista Miguel Gaspar.


A segunda metade abre com a ótima “Evento”, a mais diversificada de 1755. Aqui, além de ótimas melodias, temos uma alternância muito legal de passagens mais agressivas e velozes, com outras mais atmosféricas. As guitarras de Pedro Paixão e Ricardo Amorim também executam um belíssimo trabalho, com ótimos riffs e solo, algo que se repete na música seguinte, “1 de Novembro”. Aqui, temos boas melodias, ótimas orquestrações e mudanças de tempo interessantes. Já “Ruínas” possui uma forte carga emocional, com certa carga de melancolia e uma aura de desespero. Além disso, é outra que tem ótima utilização de elementos orientais. “Todos os Santos” é, sem sombra alguma, uma das mais fortes canções aqui presentes. É daquelas músicas onde o Moonspell mostra toda a sua capacidade de unir passagens mais agressivas com boas melodias e uma pegada gótica. Reflete perfeitamente o que é a banda. Encerrando o álbum, uma surpreendente versão para “Lanterna dos Afogados”, do Paralamas do Sucesso, uma música que nós brasileiros conhecemos muito bem. Peso e suavidade, características antagônicas em um primeiro momento, se unem para gerar uma aura triste, escura e melancólica, que se destaca principalmente pelas belíssimas orquestrações (o piano ficou perfeito aqui) e se mostra o encerramento perfeito para o álbum.

A produção ficou por conta do dinamarquês Tue Madsen, que já trabalhou com a banda no passado, e o resultado é simplesmente incrível. A forma como ele conseguiu deixar o som limpo e claro, a ponto de escutarmos cada detalhe, mas sem tirar a agressividade e o peso, foi simplesmente incrível. Uma das melhores produções que escutei em 2017. Já a bela capa é obra do português João Diogo e reflete perfeitamente o conteúdo lírico do álbum. Com um trabalho simplesmente fascinante e viciante, o Moonspell parece ter alcançado seu auge e conseguido o que parecia improvável, superar os clássicos Wolfheart (95) e Irreligious (96). Emocional, como o tema pede, 1755 se credencia como sério concorrente a melhor álbum de 2017. Não acredita? Então escute e tire suas próprias conclusões.

NOTA: 9,5

Moonspell é:
- Fernando Ribeiro (vocal);
- Pedro Paixão (guitarra/teclado);
- Ricardo Amorim (guitarra);
- Aires Pereira (baixo);
- Miguel Gaspar (bateria).

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Paradise Lost – Medusa (2017)


Paradise Lost – Medusa (2017)
(Shinigami Records/Nuclear Blast – Nacional)


01. Fearless Sky
02. Gods of Ancient
03. From the Gallows
04. The Longest Winter
05. Medusa
06. No Passage for the Dead
07. Blood & Chaos
08. Until the Grave
09. Shrines
10. Symbolic Virtue

Com seu debut, Lost Paradise (90), o Paradise Lost assumiu a liderança do movimento Death/Doom. Com seu sucessor, Gothic (91), lançaram as bases do que viria a ser o Gothic Metal, estilo aperfeiçoado nos dois trabalhos seguintes, Shades of God (92) e Icon (93), e que encontrou a perfeição no irretocável Draconian Times. Com One Second (97), começaram um mergulho em suas raízes Goth/Synthpop oitentistas, o que acabou por resultar no melhor álbum do Depeche Mode não lançado pelo Depeche Mode, Host (99), incompreendido por boa parte dos fãs na época, mas hoje respeitado como um dos bons trabalhos de sua carreira. Ok, erraram a mão em Believe In Nothing (01), mas seu fraco resultado talvez tenha se dado muito mais pela interferência da EMI no processo de masterização (sem o conhecimento da banda) do que qualquer outra coisa.

Curiosamente, daí para frente começaram a seguir o caminho inverso. Se Symbol of Life (02) soava quase como uma continuação de One Second, Paradise Lost (05) marcou o retorno dos ingleses ao Doom, ainda que com forte influência gótica, terreno no qual se mantiveram firmes nos álbuns seguintes, In Requiem (07) e o ótimo Faith Divides Us - Death Unites Us (09). Já Tragic Idol (12) deu um passo além e levou sua música de volta ao período da dobradinha Icon/Draconian Times (para muitos, sua melhor fase), impressionando os fãs com sua qualidade. Não satisfeitos, se aprofundaram ainda mais em sua história em The Plague Within (15), colocando um pé em seu passado Death/Doom, com momentos que poderiam estar sem esforço algum em Gothic ou Shades of God. 


Como é possível observar, o Paradise Lost sempre foi uma banda inquieta e que em momento algum se dobrou a pressões. Sempre fez o que quis, quando quis, mesmo que dessa forma tenha colocado sua carreira em risco em alguns momentos. Sua integridade é o seu maior patrimônio. Fora isso, independentemente da fase e da sonoridade adotada, sempre existiu um DNA que fazia com que nos fosse possível identificá-los. Existe uma melancolia em suas canções que só eles conseguem imprimir, algo inimitável. Esse acaba por ser o fio condutor que consegue unir álbuns tão díspares como Lost Paradise, Draconian Times e Host. Nesses quase 30 anos de carreira, optaram por ser uma banda de vanguarda, aquela que desbrava os caminhos que virão a ser seguidos por seus parceiros, e foram muito felizes nessa missão.

E sempre guiados pelo instinto e principalmente, soando absolutamente espontâneos, os ingleses de Halifax chegam a Medusa, seu 15º álbum de estúdio, mantendo os dois pés bem firmes em suas raízes mais pesadas, mas sem abrir mão daquelas melodias marcantes que marcaram toda a sua carreira. E ouso dizer que aqui temos um trabalho que consegue soar ainda mais pesado, escuro e melancólico que The Plague Within, em um mergulho ainda mais profundo no Death/Doom do passado (claro que de uma forma muito mais refinada), e se aprofundando ainda mais nas influências oriundas de Gothic e Shades of God observadas no CD anterior.

Apesar de boa parte das músicas ser arrastada e ter aquela aura desoladora, Medusa é um trabalho que prima pela diversidade, pela riqueza musical. Diversificado, nos permite observar muitas mudanças de estrutura nas canções, além de uma variedade vocal muito grande, já que Nick Holmes  vai desde os guturais típicos do Death/Doom, até os vocais mais melodiosos que marcaram os momentos mais góticos da banda. Outro foco de diversidade está no ótimo trabalho das guitarras de Gregor Mackintosh e Aaron Aedy, que mostram aqui a excelência que lhes é imputada. Riffs que estão entre os melhores já compostos pela banda, lentos, além de solos melodiosos, fazem parte do repertório da dupla. O baixo de Stephen Edmondson soa com aquela solidez de sempre, além de muito pesado, enquanto o estreante baterista Waltteri Väyrynen (que, com seus 23 anos, sequer era nascido quando o Paradise Lost surgiu), parece ter trazido mais vitalidade ao som da banda, realizando um belo trabalho e se mostrando um substituto mais que à altura de Adrian Erlandsson.


O álbum abre com “Fearless Sky”, que já mostra de cara qual vai ser a pegada de Medusa. Lenta, densa, forte e pesada, tem aquela melancolia que é inerente ao Paradise Lost, além de um trabalho diversificado de Nick nos vocais. “Gods of Ancient” tem um ar sombrio (principalmente no que tange o trabalho vocal), enquanto “From the Gallows” se destaca pelo belo trabalho de bateria. Já a excelente “The Longest Winter” certamente entrará para o hall das músicas clássicas do Paradise Lost, trazendo quele ar gótico típico do Draconian Times, com ótimos vocais limpos de Holmes, características que se repete na elegante “Medusa”. A arrastada “No Passage for the Dead” traz os vocais guturais de volta ao jogo, além de contar com ótimas melodias de guitarra e muito peso. “Blood & Chaos” é a faixa “diferentona” do álbum, já que é mais acelerada e tem o apelo gótico mais forte de todas aqui presentes. “Until the Grave” encerra a versão padrão de Medusa mantendo todas as qualidades inerentes ao álbum. Na versão nacional, temos mais duas músicas, “Shrines”, com suas ótimas melodias, e a fortíssima “Symbolic Virtue”, que merecia ser mais do que uma bônus, pela qualidade aqui apresentada.

Gravado no Orgone Studios, mais uma vez, a produção, mixagem e masterização foram realizadas por Jaime Gomez Arellano (Cathedral, Ghost, Fen, Sólstafir), com ótimo resultado final. O trabalho de arte ficou por conta do Branca Studio, tendo ficado muito bom. Sombrio e desolador, Medusa é um pouco mais difícil que The Plague Within, não soa tão avassalador já na primeira audição, mas à medida que você vai escutando o mesmo, ele cresce de uma forma incrível e se torna único e poderoso. É um álbum que, acima de tudo, é capaz de despertar emoções profundas no ouvinte. Em resumo, um típico trabalho do Paradise Lost. Pode uma banda chegar ao auge de sua carreira mais de uma vez? Bem, aqui temos a prova que sim. Nasce mais um clássico!

NOTA: 9,0

Paradise Lost é:
- Nick Holmes (vocal);
- Gregor Mackintosh (guitarra);
- Aaron Aedy (guitarra);
- Stephen Edmondson (baixo);
- Waltteri Väyrynen (bateria).

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)


Tupi Nambha - Invasão Alienígena (2016) (EP)
(Independent - Nacional)


01. Invasão Alienígena
02. Antropofagia
03. Tribo em Guerra
04. Tupi Nambha
05. Galdino Pataxó
06. Feiticeiro
07. Ayahuasca

É louvável o crescimento de bandas brasileiras que optam por mesclar elementos tipicamente brasileiros (tanto na parte musical quanto na lírica) ao seu Heavy Metal. Em uma cultura tão rica quanto a nossa, esse tipo de fusão pode gerar resultados muito positivos. O Tupi Nambha é uma banda relativamente nova, surgida em Recanto das Emas/DF no ano de 2016 pelas mãos de Marcos Loiola (vocal) e Rogério Delevedove (guitarra), mas que, não disposta a perder tempo, já foi tratando de soltar seu EP de estreia.

A proposta aqui é muito clara. Sobre uma base que em muitos momentos remete ao Thrash/Groove Metal, incorporaram elementos musicais típicos de nossa cultura, com letras cantadas no idioma Tupi e que trata da etnia dos Tupinambás, que habitavam áreas do nosso litoral, na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo no período da chegada dos colonizadores portugueses no Brasil. E apesar do pouco tempo de estrada, mostram uma capacidade ímpar de equilibrar todos os elementos presentes em sua sonoridade de uma forma muito coesa, algo que não é lá muito simples de se fazer. Não é à toa que fazem parte do movimento Levante do Metal Nativo, ao lado de bandas como Tamuya Thrash Tribe, Armahda, Voodoopriest, Cangaço, Hate Embrace e MorrigaM.

Esse citado equilíbrio entre elementos étnicos, melodia e agressividade é decididamente o grande diferencial do Tupi Nambha. Abrem o EP com “Invasão Alienígena”, música onde os destaques ficam com os trabalhos vocal e percussivo. “Antropofagia” segue na mesma pegada, com a guitarra tendo seus momentos de destaque, graças aos ótimos riffs. Já “Tribo em Guerra” se mostra muito diversificada e com muitas mudanças de tempo, além de possuir um refrão que empolga, enquanto em “Tupi Nambha” a parte rítmica se destaca demais.
 

Já “Galdino Pataxó” é uma justa homenagem ao líder indígena Galdino Jesus dos Santos, que foi queimado vivo em Brasília no ano de 1997, por 5 jovens de classe alta da cidade que, apesar de condenados, acabaram não cumprindo sua sentença, já que possuíam pais muito influentes. É a mais tribal de todas as canções e não soa exagero afirmar que tem algo de Chico Science e Nação Zumbi na mesma. Encerrando o trabalho, temos uma bela sequência com “Feiticeiro”, cadenciada, pesada e com momentos que podem remeter ao Black Sabbath, e “Ayahuasca”, outra que abusa do peso e da intensidade.

Gravado, mixado e masterizado no estúdio Broadband, com produção de Caio Cortonesi (Dynahead, Arandu Arakuaa, Omfalos Miasthenia), o resultado é muito bom, já que está limpo, audível e com uma dose certeira de crueza (algo em que muitas bandas por aí erram a mão). Já a parte gráfica ficou por conta de João Rafael e do estúdio Fábula Ilustrações, com resultados muito legais. No fim, temos uma banda que não tem medo de arriscar e inovar em busca de sua identidade, mostrando um potencial latente de estar entre os principais nomes do Metal no Brasil muito em breve.

NOTA: 8,0

Tupi Nambha é:
- Loiola (vocal);
- Rogério Delevedove (guitarra).

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Weakless Machine - Manipulation (2017)


Weakless Machine - Manipulation (2017)
(Independente - Nacional)


01. Manipulation
02. Get Ready
03. Tarred With the Same Brush
04. Burning All
05. Death Knocks On My Door
06. Kill
07. Pain
08. Tribal Wars
09. Unbroken

O Weakless Machine surgiu em Porto Alegre/RS, no ano de 2015, mas apesar do pouquíssimo tempo de estrada, resolveu não perder tempo e já partir para a gravação do seu debut. E olha, depois de escutar os cerca de 32 minutos de Manipulation, posso dizer sem medo que estamos diante de uma banda diferenciada, já que esse é, sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns nacionais que escutei neste ano.

A surpresa já começa quanto à sonoridade adotada pelo Weakless Machine. Ao contrário do que possamos imaginar, não investem em um Death ou Thrash Metal de pegada mais tradicional, como muitos bons nomes oriundos do Rio Grande do Sul. O quarteto, na época formado por Jonathan Carletti (vocal), Fernando Cezar (guitarra), Gustavo Razia (baixo) e Luke Santos (bateria) (que veio a sair da banda após a gravação, sendo posteriormente substituído por Renato Siqueira), aposta suas fichas em um Modern Metal que flerta em muitos momentos com o Thrash, o Groove e o Metalcore, e que soa absurdamente pesado e agressivo, além de possuir melodias verdadeiramente contagiantes.

Durante a audição de Manipulation, nomes como Machine Head, Trivium, Lamb of God, Slipknot, Metallica (pós-Black Album) e Killswitch Engage certamente virão à sua cabeça. Mas não pense que estamos falando de emulação, de cópia, pois a música do Weakless passa longe disso. Influenciado pelos nomes já citados, conseguem fazer uma música de muita personalidade e acima de tudo muito forte. Os vocais de Jonathan são ótimos, enquanto a guitarra de Fernando faz um trabalho primoroso, esbanjando ótimos riffs e melodias definitivamente grudentas. A parte rítmica de Gustavo e Luke transborda qualidade, peso, técnica e muita diversidade.

São 9 canções que vão direto ao ponto, sem espaço para enrolação e com alto potencial de destruir pescoços. “Manipulation” abre os trabalhos com muito de Groove, agressividade de sobra e ótimo desempenho da dupla Gustavo/Luke. O ótimo trabalho da guitarra, que despeja riffs furiosos, é um dos pontos altos da faixa seguinte, “Get Ready”, que além disso possui um refrão marcante. Já “Tarred With the Same Brush” se mostra avassaladora, esbanjando modernidade e brutalidade. Em alguns momentos, os vocais de Jonathan remetem aos de James Hetfield, o que não é pouca coisa. Mantendo a adrenalina alta, “Burning All” chega com ótimas melodias e muito peso. É dessas canções grudentas por natureza.


Localizada cirurgicamente no meio do álbum, certamente com a intenção de dar um refresco para o pescoço alheio, temos a ótima e introspectiva “Death Knocks On My Door”, mas logo em seguida a porradaria volta a imperar, com a bruta “Kill”, outra onde o Groove fala mais alto e a enérgica “Pain”. Já “Tribal Wars” se destaca não só pelos ótimos riffs, como pelo desempenho da parte rítmica, enquanto “Unbroken” encerra o álbum não só com melodias verdadeiramente grudentas, como também com um refrão marcante e diversidade de sobra.

Outro ponto alto aqui se dá com relação à parte técnica. A produção ficou a cargo de Renato Osório (Hibria), com mixagem e masterização feitas por Benhur Lima (ex-Hibria). O resultado final é excepcional, já que o som está claro, totalmente audível, mas ainda assim pesado e muito agressivo. Uma das melhores produções nacionais que escutei neste ano. Embalado em um digipack caprichado, conta com capa e parte gráfica feitas por Tiago Masseti (Daydream XI), em um trabalho de altíssimo nível. Aqui temos a prova de que, mesmo com toda a crise que vive o país, é possível sim fazer um trabalho altamente profissional e que é capaz de colocar a banda em lugar de destaque.

Aqui temos não só a principal revelação nacional de 2017 até o momento, como também um dos melhores álbuns lançados por uma banda brasileira nesse ano. Se gosta de Modern Metal, esse é um trabalho que você precisa ter na sua coleção. Surpreendente e imperdível.

NOTA: 8,5

Weakless Machine (gravação):
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Luke Santos (bateria).

Weakless Machine é:
- Jonathan Carletti (vocal);
- Fernando Cezar (guitarra);
- Gustavo Razia (baixo);
- Renato Siqueira (bateria).

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Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)


Witchour - Night Hag/El Pacto (2017) (Single)
(Las Brujas Records - Importado)


01. Night Hag
02. El Pacto

O cenário latino-americano de Heavy Metal é riquíssimo, com ótimas bandas por todos os cantos, mas por algum motivo boa parte dos bangers brasileiros o desconhece quase que totalmente. E olha, não sabem o que estão perdendo. Formado por músicos experientes dentro do cenário argentino, o Witchour já é conhecido de quem acompanha o A Música Continua a Mesma, pois apareceram por aqui com seu EP de estreia, The Haunting (15), onde apresentaram 4 músicas nas quais podíamos escutar um Death Metal Melódico bem técnico e com muita qualidade.

Agora, preparando-se para finalmente soltarem seu álbum de estreia, lançam o single Night Hag/El Pacto, a partir do qual podemos ter uma ideia clara do que nos espera. E bem, evolução é uma palavra que se encaixa bem aqui. O som não mudou, permanece aquele Death Metal Melódico moderno, calcado em nomes como In Flames e Soilwork, mas conseguiram dar aquele passo evolutivo que se espera de toda banda, já que se mostram mais maduros, coesos, agressivos e sim, mais melódicos.

Os vocais de Alejandro Souza (ex-Frater) se destacam pela diversidade, com ele se saindo bem tanto nos tons mais agressivos quanto nos limpos (esses surgem nos refrões). A dupla de guitarristas formada por Ezequiel Catalano e Federico Rodrigues (ambos ex-Climatic Terra) nos apresenta um trabalho verdadeiramente primoroso, com ótimos riffs e solos melodiosos. Por último, temos a parte rítmica, com o estreante baixista Marco Ignacio Toba (ex-Thabu) e o baterista Javier Cuello (Anomalia), que se mostra muito variada, pesada e técnica.


São apenas 2 músicas, mas que cumprem bem o papel de nos deixar na expectativa pelo debut do quinteto. “Night Hag” esbanja peso e agressividade, soando bem enérgica e contando com riffs ótimos, cortesia de Ezequiel e Federico. Já “El Pacto”, cantada em espanhol (e provando que se saem bem cantando em qualquer idioma), se mostra bem variada, com várias mudanças de andamento (com destaque principal para o desempenho da dupla Marco/Javier) e melodias realmente excepcionais.

Gravado no La Cueva de las Brujas, com produção de Ezequiel Catalano, o trabalho teve mixagem e masterização realizados por Nicolás Ghiglione no Pgm Studios. O resultado final foi ótimo, com tudo claro, audível, pesado e agressivo, não deixando nada a dever se comparado com produções de alguns nomes já consagrados no cenário. Já a bela arte da capa foi obra de Julian Ciceri e mostra todo o cuidado que possuem com sua música.

Mostrando solidez, energia, agressividade, peso e uma capacidade ímpar de moldar ótimas melodias, o Witchour se mostra mais do que pronto para alçar voos bem mais altos e quem sabe, conquistar um lugar de destaque no cenário do Death Metal Melódico mundial. E aos interessados,  Night Hag/El Pacto está disponível para download gratuito no Bandcamp da banda.

NOTA: 8,5

Witchour é:
- Alejandro Souza (vocal);
- Ezequiel Catalano (guitarra);
- Federico Rodriguez (guitarra);
- Marco Ignacio Toba (baixo);
- Javier Cuello (bateria).

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)


Warfield Death - Sucumbindo ao Medo (2017)
(Independente - Nacional)


01. Brutal
02. Vingança Infernal
03. Sucumbindo ao Medo
04. Mãos Fechadas para Injustiça
05. Sangue Derramado
06. Mercadores da Morte
07. Uma Festa que Acaba em Funeral

A cena nordestina talvez seja a mais forte do Brasil na atualidade, com ótimas bandas surgindo o tempo todo. O Warfield Death não se trata de uma banda propriamente iniciante, já que surgiu em Aracaju/SE no ano de 2009, mas só neste ano conseguiram finalmente lançar seu tão almejado debut (também possuem uma demo, intitulada simplesmente Death (09)).

Musicalmente, o quarteto formado por Marcos P. Viking (vocal), Thiago Madness (guitarra), Eduardo Vysceral (baixo) e Carlos Morte (bateria) não inventa, apostando forte suas fichas naquele Death Metal com uma pegada mais Old School, e que remete ao final dos anos 80/início dos 90, principalmente a nomes como Six Feet Under, Cannibal Corpse e Obituary. Mostram boa técnica e privilegiam a cadência e o peso, ao invés da velocidade, por mais que momentos assim surjam aqui e ali em sua música.

Os vocais de Marcos são bem agressivos, trafegando entre o urrado e o gutural, soando muitas vezes ininteligíveis, apesar de todas as músicas serem cantadas em português. Já a guitarra faz um belo trabalho aqui, soando não só direta, mas também bem variada. É responsável não só por bons riffs, mas também por algumas boas melodias. Já a parte rítmica se destaca não só pela coesão e boa técnica (o trabalho de bateria é muito bom), mas também pela diversidade que imprime às canções do Warfield Death. Não apresentam nada de novo, é verdade, mas conseguem utilizar muito bem a fórmula que adotaram, sem soarem como simples emulação. 


São 7 músicas que vão direto ao ponto, sem enrolar o ouvinte. Canções como “Brutal” e “Mercadores da Morte” mostram boa técnica, enquanto a variação rítmica é o destaque nas ótimas “Vingança Infernal” e “Sucumbindo ao Medo” (muito intensa, por sinal). “Sangue Derramado” esbanja brutalidade e a guitarra, com seus bons riffs, se destaca tanto em “Mãos Fechadas para Injustiça” e “Uma Festa que Acaba em Funeral”.

Mas cabem aqui algumas pequenas ressalvas. A produção, mesmo que não comprometa, já que os instrumentos estão bem audíveis, exagerou um pouco na crueza. Nada em excesso, mas trabalhar um pouco mais a produção vai ajudar a obterem um maior destaque. O outro “puxão de orelha” se dá devido ao trabalho gráfico aqui apresentado, que prima pela total e completa falta de informações. Não tem letras (apesar de serem em português), não tem os nomes dos músicos ou qualquer informação técnica. Pode parecer bobagem, mas em um mercado acirrado como o atual, esses detalhes contam demais. No fim, uma boa estreia de uma banda muito promissora.

NOTA: 7,5

Warfield Death é:
- Marcos P. Viking (vocal);
- Thiago Madness (guitarra);
- Eduardo Vysceral (baixo);
- Carlos Morte (bateria).

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domingo, 8 de outubro de 2017

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

SKoR - Some Kind of Redemption (2017)
(Independente – Nacional)
 

Oriundo de Campinas/SP, o SKoR é um duo formado por Camila Ferreira (vocal) e Fernando Allgauer (guitarra), surgido em 2012 e que chega agora ao seu EP de estreia. Com letras bem fortes e densas, aposta em uma mescla muito legal de Gothic com Rock e Metal, que muitas vezes pode acabar por remeter o ouvinte aos americanos do Evanescence, por mais que sejam muito mais do que isso. Vale destacar também a belíssima voz de Camila, que se mostra diferenciada. Que venha um trabalho completo, pois já se mostram mais do que prontos para tal. (8,0)

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BlackForce - Slaves to Reality (2016)
(Independente – Nacional)


Surgido no ano de 2014 em Niterói/RJ, o BlackForce é mais um nome do nosso cenário a apostar no Thrash/Death. Essa mescla, apesar de não ser novidade alguma, acaba por gerar uma música muito bem-feita e interessante. Ok, temos alguns momentos um tanto genéricos aqui e ali, mas convenhamos, isso é mais do que normal para uma banda que está dando seus primeiros passos. O que importa é que na maior parte do tempo temos vocais guturais de qualidade, riffs velozes, algumas boas melodias e uma parte rítmica competente. O BlackForce tem tudo para agradar aos fãs de formações como Slayer, Exodus e Megadeth, o que não é pouca coisa. Uma boa estreia de uma banda que promete bastante para o futuro. (7,5)

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Katamarock - HAG (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido no ano de 2015, o Power trio paulistano apresenta em seu EP de estreia uma música bem variada e com boas letras em português. Se na primeira faixa do trabalho mostram uma veia mais Rock, na seguinte deixam escancarada toda a influência de Black Sabbath. Já o encerramento se dá com uma faixa carregada de groove. Se essa falta de um direcionamento maior pode vir a incomodar alguns, é justamente essa diversidade que pode agradar em cheio ao fã de Rock em geral. Se gosta de música pesada bem-feita, vale a pena conhecer. (7,0)

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Red Mess - Into the Mess (2017)
(Abraxas Records – Nacional)
 

Após dois bons EP’s, Crimson (14) e Drowning In Red (15), o trio londrinense finalmente chega ao seu álbum completo. E o que temos aqui é uma verdadeira ode à “música chapada”, com uma ótima mescla de Stoner e Progressivo, que rende momentos muito legais. Soando mais pesado e maduro que em seus trabalhos anteriores, o grupo paranaense apresenta riffs fortes e que são capazes de tornar o ouvinte escravo de sua música. Além disso, esbanjam energia e mostram que é possível sim, mostrar muita técnica sem soar pedante ou enjoativo. Uma ótima indicação para os fãs do estilo. (8,5)

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The Lotus Throne - Occvlt (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido apenas nesse ano, através das mãos de Juan Sotelo, o The Lotus Throne é uma One Man Band carioca que optou por se enveredar pelos sinuosos caminhos do Progressive Death Metal. E olha, meu amigo, o resultado aqui é muito bom, já que Juan (com o apoio de Diogo Macedo, que gravou a bateria) se saiu muito bem na difícil tarefa de mesclar o peso e a agressividade do Death, com as boas melodias e as partes complexas e intrincadas oriundas do Progressivo. Sem dúvida, uma das revelações nacionais de 2017. (8,0)

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Worsis - Blinded By The System (2017)
(Independente – Nacional)
 

Surgido na cidade de Ipê/RS, no ano de 2014, com o nome de Kairos, o grupo gaúcho alterou seu nome para Worsis durante o processo de gravação do seu debut, após mudanças na sua formação. E como toda boa banda vinda do Rio Grande do Sul, os caras não aliviam, apresentando um Thrash Metal forte, com vocais agressivos, riffs marcantes e afiadíssimos, além de uma parte rítmica coesa, técnica e bem diversificada. A maturidade apresentada aqui realmente impressiona, ainda mais quando você se dá conta que esse é apenas o seu trabalho de estreia. Eis mais uma grande revelação do Sul, com potencial para logo estar entre os grandes do |Metal nacional. (8,5)

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sodoma - Mutapestaminação (2016)


Sodoma - Mutapestaminação (2016)
(Altera Pars Records - Nacional)


01. Audiatur et Altera Pars
02. Pesthereticanonica
03. 7Strega
04. Mutapestaminação
05. Libertinos
06. Devora-te
07. Ramaerata
08. Destrói Dei Verbum
09. Viperovz Papisa

A riqueza do cenário nacional é algo indiscutível. Por mais que muitos se recusem a enxergar, a verdade é que aqui temos bandas tão boas quanto qualquer uma que venha do exterior. E olha que, por toda a situação econômica e pela falta de valorização do estilo no Brasil, a luta para se manter uma banda é muito mais árdua por aqui do que na Europa ou América do Norte. O paraibano Sodoma é um exemplo disso. Surgido em 2003, soltou duas demos, Sadomazocristo (05) e Renascida em Trevas (08), só chegando ao seu debut em 2011, com o muito bom Sempiterno Agressor, onde em 10 temas, desfilava o seu furioso Blackened Death Metal.

Então, após um hiato de 5 anos, o Sodoma nos apresentou Mutapestaminação, onde mostram que o tempo decorrido entre um álbum e outro só lhes fez bem. Não entendam mal, como eu mesmo já disse acima, seu debut é um trabalho muito bom, mas a evolução apresentada entre um e outro é algo realmente incrível. E o melhor, sem perder quaisquer das características da banda. Sua música continua bruta, agressiva (diria que até mais que na estreia) e blasfema, mas soando ainda mais técnica, bem-arranjada e acabada, enquanto boas melodias surgem em meio a riffs afiadíssimos.

A forma como conseguem equilibrar bem os elementos de Death e Black em sua música lembra os melhores momentos de nomes como Behemoth, Belphegor, Azarath, Angel Corpse e afins, além de gerar uma música que consegue soar ao mesmo tempo infernal e soturna. Na maior parte do tempo, a velocidade predomina sobre as passagens mais cadenciadas (que, quando surgem, são muito bem encaixadas), com um belo trabalho de guitarra da dupla Samidarish e Seth. Os vocais de Hate Devoro estão doentios, enquanto seu baixo faz uma bela dupla com a bateria de Dagon. Por sinal, em diversos momentos, a parte rítmica assume o protagonismo das canções.


Descontando a breve introdução, temos aqui 8 verdadeiros hinos de mais puro louvor à luxúria e à blasfêmia, todos cantados em nossa língua pátria. Os principais destaques ficam por conta de “Pesthereticanonica”, veloz, diversificada e brutal, com um belo trabalho das guitarras, a insana “7Strega”, a infernal “Mutapestaminação”, onde Hate Devor e Dagon mostram muita técnica em seus instrumentos, a doentia e sombria “Ramaerata”, outra onde as guitarras se destacam, e o encerramento com a insana e feroz “Viperovz Papisa”.

Gravado em 3 estúdios diferentes, SG Studio Digital, 1404 Studios e Estúdio Peixe-boi, todos em João Pessoa/PB, Mutapestaminação teve produção, mixagem e masterização realizadas por Victor Hugo Targino (Soturnus, Conclave, Metacrose, Cangaço, Necrohunter), com um bom resultado, já que manteve a clareza, o peso e a agressividade, mas com a dose de crueza necessária para o Death/Black dos paraibanos. Já a capa é obra de Rafael Tavares (Blood Red Throne, Ocultan, Chaos Synopsis, Torture Squad, Queiron) e reflete com perfeição o conteúdo lírico blasfemo do Sodoma.

Provando que evoluir e amadurecer não significa perder suas características, o Sodoma dá um passo à frente e se coloca na ponta de lança do cenário Death/Black brasileiro. Uma verdadeira hecatombe em forma de música!

NOTA: 8,0

Sodoma é:
- Hate Devoro (vocal/baixo);
- Samidarish (guitarra);
- Seth (guitarra);
- Dagon (bateria).

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Evil Sense - Fight for Freedom (2017)


Evil Sense - Fight for Freedom (2017)
(Erinnys Productions - Nacional)


01. No More Lies
02. Embrace of Death
03. Império Headbanger - O Ritual Metal
04. Traveling by Warriors Land
05. Force and Honor
06. Unit 731
07. Thrash Anger
08. Fight for Freedom
09. Evil Sense

A vida de uma banda de Heavy Metal no Brasil nunca será fácil, e a trajetória do Evil Sense mostra bem isso. Surgido em 2000, lutaram para estabilizar uma formação, gravaram 3 demos, Horseman of Apocalypse (02), Coma of Your Brain (06) e In Thrash We Trust, e finalmente, 17 anos depois de sua formação, finalmente conseguiram chegar ao seu debut, Fight for Freedom. Uma caminhada dura, árdua, mas que finalmente foi recompensada.

Musicalmente não apresentam qualquer novidade ou inovação. Sua aposta é cravar de forma bem firme seus pés nos anos 80, apresentando um Thrash/Speed que recebe boas influências de Metal Tradicional. Todos os clichês do período se fazem presentes aqui. Aí você certamente vai se perguntar: isso é ruim? Olha, de forma alguma, pois tudo é uma questão de como você vai utilizá-los, e no caso do Evil Sense, fazem isso de forma muito competente e sem procurar emular algum nome em específico.

Aqui temos uma música enérgica, crua e ríspida, com vocais bem agressivos, riffs cortantes, bons solos e uma parte rítmica que mostra boa técnica, se destacando em diversos momentos do CD. São 9 canções que vão direto ao ponto, sem qualquer enrolação, com destaque para  a agressiva “No More Lies”, que abre o trabalho, “Embrace of Death”, com riffs muito bons, a instrumental “Traveling by Warriors Land”, com influência de Metal Tradicional (lembra daquelas instrumentais dos primeiros álbuns do Maiden?) e um trabalho tão bom das guitarras que você nem sente a falta de um vocal, “Force and Honor”, outra com sonoridade mais Heavy, bom peso e ótimos riffs em seus mais de 8 minutos, “Thrash Anger”, que faz jus ao nome, carregada de energia e totalmente raivosa, e “Evil Sense”, que encerra o álbum e possui um trabalho muito bom da dupla de guitarristas.


Gravado e mixado no KW Home Estúdio/SP, com produção de Alexdog (Tenebrario) e da própria banda, o resultado, apesar de soar um pouco cru demais, não chega a comprometer, ainda mais se tratando de um debut. Algo um pouco mais bem trabalhado vai deixar a coisa ainda melhor aqui. O importante é que, acima de tudo, todos os instrumentos estão bem claros e pesados, além de bem timbrados. Até aqui o clima oitentista prevalece.

No final, temos em mãos um bom trabalho de estreia, indicado aos bangers mais saudosistas, e que mostra uma banda que, com pequenos ajustes aqui e ali (um pouco mais de identidade e uma produção levemente mais bem trabalhada), tem tudo para estar entre as principais do estilo no país. Altamente indicado para fãs de bandas como Slayer, Exciter, Artillery e afins.

NOTA: 8,0

Evil Sense é:
- Wagner “Capu” (vocal/guitarra);
- Thiago “Suco” (guitarra);
- Hugo (baixo);
- Ricardo (bateria).

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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Affront - Angry Voices (2016)


Affront - Angry Voices (2016)
(Cianeto Discos - Nacional)


01. Scum of the World
02. Angry Voices
03. Affront
04. Conflicts
05. Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)
06. Mestre do Barro
07. Religions Cancer
08. Under Siege
09. Carved in Stone
10. WarTime Conspiracy
11. Echoes of the Insanity
12. Under Siege (Participação especial: Marcelo Pompeu)

Devido ao sério problema de saúde pelo qual passou o vocalista Felipe Eregion, o Unearthly acabou por fazer uma pausa na carreira. Com isso, o baixista M. Mictian (que aqui também assume os vocais) e o guitarrista Rafael Rassan resolveram, ao lado do baterista Jedy Nahay (hoje a vaga é ocupada por Thiago Caneda, do Forkill), iniciar uma nova empreitada, que recebeu o nome de Affront. E sem perder tempo, no final de dezembro do ano passado já foram tratando de soltar o seu debut, Angry Voices.

Meus amigos, pensem em um álbum ignorante. Aqui você se depara com um Thrash/Death estupidamente rápido, agressivo e violento, que não tem nenhuma clemência com os pescoços alheios, mas que foge daquele clichê de apostar em uma sonoridade Old School, já que investe mais em andamentos quebrados e passagens mais intrincadas. Esse é um dos diferenciais do Affront. São 12 músicas que possuem altíssimo poder de destruição, com vocais rasgados, guitarras velozes e que despejam alguns riffs simplesmente brutais e uma bateria totalmente fora de controle (no bom sentido).

Um outro diferencial com relação ao trio é que eles não têm medo de experimentar. Vide, por exemplo, os elementos de música regional incorporados em algumas canções, o que acaba por enriquecer demais o resultado final de Angry Voices. E vale dizer também que, apesar da brutalidade e velocidade impostas aqui na maior parte do tempo, sua música mostra diversidade e ótimas melodias. A forma coesa e madura como conseguem equilibrar todos os elementos presentes em sua música é algo que definitivamente impressiona.

O álbum já abre de forma violenta, com “Scum of the World”, que se destaca pela agressividade e pelo belo trabalho da parte rítmica. “Angry Voices” vem na sequência, alternando algumas passagens um pouco mais cadenciadas com momentos velozes, além de esbanjar peso, sendo seguida por “Affront”, ríspida e com uma bateria avassaladora, e por “Conflicts”, outra que mescla cadência e velocidade, além de contar com boas melodias de guitarra. Temos então um momento de refresco para o pescoço, com a instrumental “Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)”, com belos elementos acústicos que acabam por torná-la o momento mais sombrio do álbum.


“Mestre do Barro” é uma homenagem ao artesão nordestino Vitalino Pereira dos Santos, também conhecido como Mestre Vitalino (1909-1963), respeitado em todo o mundo por sua arte feita com barro (possui obras expostas no Louvre, em Paris, dentre outros museus no Brasil e mundo afora). Aqui, temos elementos regionais muitíssimos bem encaixados, mesclados à agressividade e ao peso do Thrash/Death. “Religions Cancer” soa um pouco mais tradicional e mantém os níveis de violência e agressividade bem altos, enquanto “Under Siege” se destaca principalmente pelo bom trabalho de guitarra. “Carved in Stone” tem uma levada mais arrastada e boas melodias e “WarTime Conspiracy” vai na direção contrária, esbanjando velocidade e agressividade. Finalizando, a bela instrumental “Echoes of the Insanity” surge em toda a sua melancolia e com toques de violão flamenco. De bônus, ainda temos uma versão de “Under Siege” com participação para lá de especial de Marcelo Pompeu, do Korzus, que deixou a canção ainda melhor.

Gravado no Musicalico Studio, com produção de Rassan e Mictian, e com mixagem e masterização realizados por Daniel Escobar, o resultado final é muito bom, já que deixou tudo claro e audível, mas sem abrir mão da agressividade e de certa dose de sujeira. A arte da capa é mais um belo trabalho do renomado Marcelo Vasco, com concepção e layout feitos por Mictian. Ao final, temos um álbum equilibrado, bruto e violento, que faz jus à carreira dos músicos aqui envolvidos, além de nos deixar ansiosos pelos trabalhos vindouros do Affront. Mas já fique avisado, prepare o relaxante muscular e o telefone do ortopedista, pois as chances de ficar sem pescoço aqui são grandes.

NOTA: 8,5

Affront (gravação):
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Jedy Najay (bateria).

Affront é:
- M. Mictian (vocal/baixo);
- Rafael Rassan (guitarra);
- Thiago Caneda (bateria).

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domingo, 1 de outubro de 2017

Melhores álbuns – Setembro de 2017


No primeiro domingo de cada mês o A Música Continua a Mesma fará uma lista com os melhores álbuns do mês anterior. Nela, respeitaremos as datas oficiais de cada lançamento, então sendo assim, não contaremos a data que os mesmos vazaram na internet, mas sim quando efetivamente foi ou será lançado.

Sendo assim, ai vão os melhores lançamentos de setembro na opinião do A Música Continua a Mesma.


 
 


 



 

Menções Honrosas

Septicflesh - Codex Omega  




 

Fast Review – Resenhas rápidas para consumo imediato!

Leprous – Malina (2017)
(InsideOut Music – Importado)
 

Não dá para discutir que a música do Leprous se aproxima muito mais do Rock Progressivo do que do Metal. Mas ainda assim, o peso se faz presente em sua música, e nesse ponto a parte rímica se mostra essencial, mesmo que as guitarras, bem limpas, resvalem no pop em alguns momentos. Malina passa a milhas de distância de ser um álbum ruim e muitos fatores ajudam nisso. A voz de Einar Solberg continua fazendo a diferença, os refrões são excelentes e grudentos e as músicas, além de soarem sofisticadas e técnicas, possuem boas harmonias. O pé no pop, que colocam em alguns momentos, em nada afeta a qualidade do trabalho. Pode não estar no nível dos excelentes Bilateral (11) e Coal (13), mas ainda assim é um belo trabalho. (8,0)

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Labÿrinth - Architecture of a God (2017)
(Frontiers Records – Importado)
 

Lá se vão mais de 2 décadas de estrada, e o Labÿrinth chega ao seu 8º álbum de estúdio. Com seu núcleo duro formado pelos guitarristas Andrea Cantarelli e Olaf Thörsen e pelo vocalista Roberto Tiranti, firme e forte, apresentam aqui um Power/Prog classudo e que procura fugir das fórmulas prontas adotadas por outras bandas italianas do estilo. As guitarras são responsáveis por ótimas melodias, mas também por dar um toque de agressividade ao trabalho, os vocais de Roberto se mostram muito emocionais, principalmente nas semi-baladas aqui presentes (algo que sempre fizeram muito bem), e o estreante tecladista Oleg Smirnoff (ex-Vision Divine) esbanja virtuosismo, mas sem pedantismo. Sem dúvida alguma o trabalho mais consistente da banda desde Return to Heaven Denied (98). (8,0)

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The Ruins of Beverast - Exuvia (2017)
(Ván Records – Importado)
 

Se assim como eu, você julgava improvável o The Ruins of Beverast superar ou, pelo menos, igualar os clássicos Unlock the Shrine (04) e Rain Upon the Impure (06), saiba que Alexander von Meilenwald (o dono de tudo aqui) acaba de nos provar que estávamos equivocados. Abusando do experimentalismo e mesclando Atmosférico, Black, Doom, Industrial e batidas tribais, acaba por gerar uma sonoridade melancólica e sufocante. Não se espante se em alguns momentos você se sentir meio a um ritual macabro executado por um Xamã satânico. Vale dizer que apesar da grande quantidade de elementos na música do TROB, em momento algum as guitarras perdem o protagonismo, já que aqui temos alguns dos melhores riffs da carreira da banda. Um dos destaques de 2017. (9,0)

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Cannabis Corpse - Left Hand Pass (2017)
(Season of Mist – Importado)
 

Para quem ainda desconhece, o Cannabis Corpse é um dos projetos paralelos de Landphil, do Municipal Waste, e que hoje conta com músicos de bandas como Gatecreeper, Six Feet Under e The Black Dahlia Murder. Surgido como uma paródia ao Cannibal Corpse, com temática voltada para a maconha, com o tempo ampliou suas referências para outras bandas clássicas de Death Metal. E é isso que temos aqui, Death Metal Clássico, sem inovações ou invenções. E não dá pra discutir, mesmo sem apresentar nada de diferente do que já foi feito, sua música é sólida e acima de tudo, divertida. Certamente vai agradar os fãs do estilo. (7,5)

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Foredoomed - Ordeal (2017)
(Independente – Importado)
 

Imagine uma banda de Death Metal Melódico que mescla em sua sonoridade Insomnium e Dream Theater. Pois é isso que os finlandeses do Foredoomed nos apresentam em seu álbum de estreia. Aqui o peso, a agressividade e as boas melodias de guitarra recebem o reforço dos sintetizadores, que remetem diretamente ao som dos americanos. As vocalizações também são variadas, já que em muitos momentos alternam entre vocais agressivos e limpos, o que funciona muito bem dentro da proposta musical da banda. São nos momentos em que essas características se mostram mais acentuadas, que conseguem fugir dos clichês do estilo e obtêm seus melhores resultados. Uma das estreias mais interessantes que escutei nesse ano de 2017. (8,0)

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Maat - Monuments Will Enslave (2017)
(Aural Attack Productions – Importado)
 

As comparações com o Nile certamente são inevitáveis, afinal, estamos falando de uma banda de Death Metal com temática lírica voltada para o Egito Antigo, mas nada é mais injusto que isso. Sua sonoridade se aproxima muito mais de nomes como Vader e Behemoth, com os elementos de música oriental surgindo incorporados no instrumental, principalmente nos riffs de guitarra. Então, se espera passagens atmosféricas, com instrumentos típicos, não vai encontrar isso aqui. A atmosfera aqui gerada é bem densa, principalmente pelos riffs agressivos, pelos refrões fortes e pelas músicas muito bem estruturadas. Em seu segundo trabalho (o debut, As We Create Hope from Above, é de 2014), o Maat continua sua evolução e tem tudo para se tornar uma das grandes bandas do estilo nos próximos anos. (8,0)

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