quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Appice - Sinister (2017)


Appice - Sinister (2017)
(SPV/Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)


01. Sinister
02. Monsters And Heroes
03. Killing Floor
04. Danger
05. Drum Wars
06. Riot
07. Suddenly
08. In The Night
09. Future Past
10. You Got Me Running
11. Bros In Drums
12. War Cry
13. Sabbath Mash

Bem, acho que os irmãos Carmine e Vinny Appice dispensam qualquer tipo de apresentação. Estão facilmente entre os maiores bateristas de todos os tempos e tocaram com grandes nomes do Rock e do Metal nas últimas décadas. Apesar disso e de uma turnê juntos alguns anos atrás, nunca haviam lançado um álbum em conjunto, falha que finalmente foi corrigida no ano de 2017, com Sinister. E o que esperar de um álbum “solo” de 2 bateristas? Um material centrado em seus instrumentos? Grandes exibições de técnica?

Nada disso, afinal, lembrem-se, não estamos lidando aqui com músicos que precisam se autoafirmar. Os irmãos Appice são músicos consagrados e mais do que respeitados, servindo de referência para milhares de bateristas por aí. Não precisam provar nada. Então, mais do que tudo, o foco desse trabalho é a música e não performances individuais. E para isso, Carmine e Vinny não economizaram nos convidados especiais: junto da dupla, temos músicos do porte de Paul Shortino (vocal/Rough Cutt, King Cobra), Robin McAuley (vocal/MSG), Craig Goldy (guitarra/ex-Dio), Joel Hoekstra (guitarra/Whitesnake), Ron “Bumblefoot” Thal (ex-Guns N' Roses), Tony Franklin (baixo/ex-Blue Murder, ex-The Firm), Phil Soussan (baixo/ ex-Ozzy Osbourne), dentre outros.

Musicalmente, temos um trabalho que trafega entre o Hard Rock e o Heavy Metal, como se fosse um apanhado musical da carreira de ambos. Os vocais são de primeira categoria (Carmine chega a assumir o mesmo em uma das canções), e as guitarras despejam riffs de muita qualidade, além de bons solos e claro, bastante peso. As linhas de baixo se mostram muito boas e a bateria, bem, não preciso dizer nada a esse respeito. São 13 canções de muita qualidade, que conseguem manter o bom nível do início ao fim.


“Sinister”, que abre os trabalhos, é uma delas. Pesada, cativa fácil o ouvinte. “Monsters And Heroes” é um tributo a Dio, originalmente lançado pelo King Cobra no ano de 2010 e que aqui teve as partes de bateria regravadas por Vinny. Vale destacar o belo desempenho de Paul Shortino nos vocais. Já  “Killing Floor” é um Hard pesado, com destaque para a guitarra de Craig Goldy, enquanto “Danger” esbanja energia. “Drum Wars” faz jus ao nome e é bem divertida. “Riot” é um cover do Blue Murder (ex-banda de Carmine) e soa simplesmente arrebatadora, com ótimos vocais de Robin McAuley, e “Suddenly” se mostra um Hard bem agradável. “In The Night” tem uma pegada mais Pop, diferindo demais da faixa seguinte, “Future Past”, que se mostra muito densa e com algo de Dio. “You Got Me Running” se destaca não só pelas boas melodias, mas também pelos vocais de Carmine, que funciona muito bem na função. Na sequência final, “Bros In Drums” se destaca pela pegada Blues/Rock, “War Cry” pelas boas melodias e pela guitarra de Joel Hoekstra, e “Sabbath Mash”, é um medley que reúne trechos de “Iron Man”, ‘Paranoid’ e ‘War Pigs”.

Gravado em uma infinidade de estúdios e produzido por Carmine e Vinny, o álbum foi mixado e masterizado por Steve DeAcutis (Tyketto, Vanilla Fudge, Overkill, Nuclear Assault), com ótimo resultado final. A capa foi obra de Dave Guerrie. Com um álbum divertido, sólido e coeso, os irmãos Appice dão uma aula de bom gosto e mostram porque são não só duas lendas da bateria, como também da música pesada.

NOTA: 8,0

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Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)


Fenrir’s Scar - Fenrir’s Scar (2017)
(Independente - Nacional)


01. Fearless Heart
02. Beneath The Skin
03. Stolen Innocence
04. Asleep
05. Keep You Close To My Heart
06. From Porcelain To Ivory
07. Caliban
08. Dark Eyes
09. Downfall
10. Fenrir’s Last Howl

Apesar de todas as dificuldades inerentes, o Brasil é um terreno fértil para o surgimento de boas bandas quando o assunto é Heavy Metal. O Fenrir’s Scar surgiu no ano de 2015, na cidade de Campinas/SP, e resolveu não perder muito tempo, tratando de já lançar seu debut no final do ano passado. A aposta? Uma mescla de Modern Metal com Gothic Metal, que invariavelmente nos remete a nomes como Lacuna Coil, Evanescence, Within Temptation, Amaranthe e outros.

Contando na época da gravação com Desireé Rezende (vocal), André Baida (vocal), Vinícius Prado (guitarra), Paulo “Khronny” Victor (guitarra), Gabriel Rezende (baixo), Graziely Maria (teclado) e Ildécio dos Santos (bateria), o Fenrir’s Scar felizmente procura fugir daquela fórmula batida de vocais guturais masculinos/vocais operísticos femininos. André até segue uma linha bem agressiva, mas Desireé opta pelos vocais voltados para o Metal, o que termina sendo uma vantagem.

A dinâmica vocal aqui me remeteu demais aos trabalhos do Lacuna Coil, o que não é demérito algum. A dupla de guitarristas formada por Vinícius (que saiu da banda recentemente, tendo André assumido a outra guitarra) e Khronny entregam aos ouvintes bons riffs e bases, além de muito peso. Vale destacar também a qualidade dos solos apresentados. Na parte rítmica, Gabriel e Ildécio apresentam um trabalho muito coeso e com boa técnica, além de diversificado. Já Graziely se destaca bastante, pois o teclado tem um papel muito importante na música do Fenrir’s Scar, tendo posição de destaque em diversas canções.


Sendo assim, é injusto jogar todos os holofotes apenas no papel de André e Desireé, por mais que o primeiro mostre possuir versatilidade de sobra e a suavidade da voz da segunda ter um papel importante de contrastar com o peso do instrumental. Todos aqui se destacam. E por falar em destaque, por mais que as 10 canções aqui presentes sejam bem homogêneas em matéria de qualidade, é inevitável que algumas se sobressaiam às outras. “Fearless Heart” possui bons riffs, peso e ótimos vocais, algo que também podemos observar em “Beneath The Skin” (que possui ótimo refrão) e “Stolen Innocence” (com ótimo trabalho do teclado). Por sinal, essas 3 me remeteram demais ao trabalho atual do Lacuna Coil. A belíssima “Keep You Close To My Heart” apresenta apenas a voz de Desireé e o piano de Graziely, sendo um dos pontos altos aqui. “From Porcelain To Ivory” se destaca não só pelo dueto vocal, como pelo refrão grudento.

Gravado no Minster Studio (Campinas/SP), o álbum teve produção de Fabiano Negri e mixagem e masterização feitas por Ricardo Palma. O resultado final é bom, pois além de deixar tudo bem claro e nítido, manteve o peso e a agressividade. Já a belíssima capa foi obra de Wesley Souza. Equilibrando bem suavidade e peso, o Fenrir’s Scar não nega em momento algum suas influências, mas passa longe de soar como uma simples emulação das mesmas. Ao final, temos uma boa estreia, de uma banda que mostra grande potencial futuro de crescimento e que tem tudo para figurar entre as principais do estilo no Brasil.

NOTA: 8,0

Fenrir’s Scar (gravação):
- Desireé Rezende (vocal);
- André Baida (vocal);
- Vinícius Prado (guitarra);
- Paulo “Khronny” Victor (guitarra);
- Gabriel Rezende (baixo);
- Graziely Maria (teclado);
- Ildécio dos Santos (bateria).

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)


Jag Panzer - The Deviant Chord (2017)
(SPV /Steamhammer/Shinigami Records - Nacional)

01. Born Of The Flame
02. Far Beyond All Fear
03. The Deviant Chord
04. Blacklist
05. Foggy Dew
06. Divine Intervention
07. Long Awaited Kiss
08. Salacious Behavior
09. Fire Of Our Spirit
10. Dare

Em um mundo perfeito, o Jag Panzer receberia muito mais reconhecimento e estaria entre os maiores nomes do Metal mundial. Exagero? Não acho. Apesar dos hiatos entre 1988-1993 e 2011-2013, já se vão mais de 3 décadas desde que surgiram em 1981, com o nome de Tyrant, e nessa extensa carreira possuem, além de um trabalho que beira a perfeição e está entre os melhores da história do estilo, Ample Destruction (84), álbuns do porte de The Fourth Judgement (97), Thane to the Throne (00) e Casting the Stones (04), não menos que excelentes.

A verdade é que, excetuando o equívoco cometido com Dissident Alliance (94), estamos falando de uma discografia que sempre primou pela alta qualidade. The Deviant Chord, seu 10º trabalho de estúdio, surge após um hiato de 6 anos desde The Scourge of the Light (11) e tem como curiosidade o fato de contar com 4/5 da formação clássica da banda, ou seja, aquela que gravou o magnânimo Ample Destruction (só o baterista Rikard Stjernquist não tocou no álbum, mas está na banda desde 1987), já que o guitarrista Joey Tafolla voltou a integrar suas fileiras nesse retorno do Jag Panzer em 2013.

Musicalmente, todo fã sabe exatamente o que vai encontrar aqui: Heavy Metal Tradicional com toques de Power da melhor qualidade, com Harry "The Tyrant" Conklin cantando de forma tão brilhante como no início da carreira (incrível como a qualidade dele se mantém), Mark Briody e Joey Tafolla destruindo nas guitarras, com ótimos riffs e solos, enquanto John Tetley e Rikard Stjernquist formam uma das melhores partes rítmicas do estilo, mostrando coesão, peso e muita força. 


Já na abertura, uma dobradinha de quebrar pescoços: “Born Of The Flame” e “Far Beyond All Fear”, com um pé no Power, ótimo trabalho das guitarras e uma energia que remete aos trabalhos do início de carreira. A cadenciada “The Deviant Chord” se mostra bem variada e se destaca principalmente pelos ótimos solos, enquanto “Blacklist” mantém o bom nível do álbum, com Harry Conklin mostrando porque é uma das principais vozes do estilo. A primeira metade se encerra com uma versão para a tradicional canção do folclore irlandês, “Foggy Dew”, que transborda energia.

A segunda metade abre com “Divine Intervention”, com riffs que vão remeter alguns ao trabalho do Judas Priest, sendo seguida pela belíssima balada “Long Awaited Kiss”. “Salacious Behavior” equilibra muito bem elementos de Heavy e Power, além de possuir uma pegada que em alguns momentos remete a Dio. Na sequência, “Fire Of Our Spirit” escancara a influência da NWOBHM na sonoridade da banda, com melodias que lembram os bons momentos do Iron Maiden nos anos 80. Fechando com chave de ouro, “Dare”, que com muito peso e riffs poderosos, tem tudo para se tornar um hino da banda.

A produção ficou a cargo de John Herrera, que também cuidou da mixagem (ao lado de Ryan Johnson) e da masterização do álbum. O resultado final ficou muito bom, claro, audível, pesado, e conseguiu que a banda não soasse datada, dando um ar moderno à sua sonoridade mais tradicional. Já a capa, umas das mais legais de 2017, foi feita por Dušan Marković (A Sound of Thunder, Dragonhearth, Mystic Prophecy). Mantendo seu aproveitamento lá em cima, o Jag Panzer lançou um dos grandes álbuns do estilo em 2017, e que é daquelas aquisições obrigatórias para os fãs de Heavy Metal.

NOTA: 8,5

Jag Panzer é:
- Harry "The Tyrant" Conklin (vocal);
- Mark Briody (guitarra);
- Joey Tafolla (guitarra);
- John Tetley (baixo);
- Rikard Stjernquist (bateria).

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Belphegor - Totenritual (2017)


Belphegor - Totenritual (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)


01. Baphomet
02. The Devil's Son
03. Swinefever - Regent Of Pigs
04. Apophis - Black Dragon
05. Totenkult - Exegesis Of Deterioration
06. Totenbeschwörer
07. Spell Of Reflection
08. Embracing A Star
09. Totenritual
10. Stigma Diabolicum (live) (bônus track)
11. Gasmask Terror (live) (bônus track)

Quando falamos de Death/Black Metal, um dos primeiros nomes que vêm a cabeça é certamente o dos austríacos do Belphegor. Na estrada desde 1992, o grupo capitaneado pelo vocalista e guitarrista Hel "Helmuth" Lehner já nos presenteou com trabalhos no mínimo excelentes, como Blutsabbath (97), Necrodaemon Terrorsathan (00), Lucifer Incestus (03), Pestapokalypse VI (06) e Blood Magick Necromance (11). Vindo de um álbum no mínimo inconstante, onde apostaram mais no Death Metal, Conjuring the Dead (14), o agora trio, completado por Serpenth (baixo) e Simon "BloodHammer" Schilling (bateria) resolveu não brincar em serviço.

O que temos em Totenritual, seu 11º álbum de estúdio, é justamente o que o Belphegor sabe fazer de melhor, Blackened Death Metal pesado, bruto, agressivo e infernal, com boas doses de técnica e alguma melodia aqui e ali, mas sem afastar aquele clima sombrio de que estamos em meio a um ritual satânico. Helmuth parece estar 100% recuperado dos sérios problemas de saúde que teve em 2011 (para quem não sabe, o mesmo contraiu febre tifoide na turnê brasileira daquele ano, tendo quase morrido em decorrência disso), e seus vocais estão em altíssimo nível, enquanto sua guitarra despeja riffs realmente poderosos. A parte rítmica, com Serpenth e o estreante BloodHammer, executa um trabalho brilhante, com destaque para a precisão e variação da bateria, algo que o trabalho anterior ficou devendo um pouco.

Abrindo o trabalho, temos a brutal “Baphomet”, pesada, com riffs afiadíssimos e uma pegada mais Death Metal, mas logo em seguida o Belphegor clássico dá as caras com a ótima “The Devil's Son”, uma faixa simplesmente explosiva, com um pé bem firme no Black Metal, além de boas melodias e um trabalho primoroso de bateria. Surge então uma das sequências mais matadoras da carreira do grupo austríaco: “Swinefever - Regent Of Pigs” tem alguns dos riffs mais brutais de todo o trabalho, além de ser absurdamente pesada, “Apophis - Black Dragon” tem, além de ótimas guitarras, um certo clima oriental que pode te remeter ao Nile, enquanto a épica e memorável “Totenkult - Exegesis Of Deterioration” chega brutalizando tudo com seus ótimos riffs e refrão para lá de forte.


A segunda metade do álbum abre com a assustadora instrumental “Totenbeschwörer”, sendo seguida pela veloz “Spell Of Reflection”, onde o ponto alto são, sem dúvida, os vocais de Helmuth. “Embracing A Star” soa sufocante, claustrofóbica, alternando com muita competência passagens mais lentas com outras mais velozes e brutas. Encerrando a versão padrão do álbum, temos a apocalíptica e violenta “Totenritual”, curta, grossa e simplesmente explosiva. De bônus, ainda temos 2 faixas ao vivo, gravadas no Inferno Festival, na Noruega, em abril de 2017. São “Stigma Diabolicum”, presente em Bondage Goat Zombie (08), e  “Gasmask Terror”, faixa de abertura do trabalho anterior, Conjuring the Dead.

No quesito produção, temos aqui o melhor resultado obtido pelo grupo até hoje. A mixagem ficou nas mãos de Jason Suecof (Deicide, Job for a Cowboy, Kataklysm, Death Angel), enquanto a masterização foi realizada por Mark Lewis (Cannibal Corpse, Trivium, Six Feet Under, Fallujah). Conseguiram deixar tudo muito nítido, mas ainda assim brutal, aliando modernidade e crueza. A capa é mais uma brilhante obra de Seth Siro Anton (Moonspell, Decapitated, Rotting Christ, Ex Deo, Exodus). Soando pesado, agressivo e sobretudo, orgânico, o Belphegor lançou mais um trabalho demoníaco, que vai fazer a alegria não só dos seus fãs, como também dos que apreciam um bom Death/Black.

NOTA: 8,5

Belphegor é:
- Helmuth (vocal/guitarra);
- Serpenth (baixo);
- BloodHammer (bateria).

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Morthur - Between the Existence and the End (2017)


Morthur - Between the Existence and the End (2017)
(Sangue Frio Records/ABC Terror Records/Blasphemic Art Distribuidora/Corvo Revords/Profundezas Abismais Productions/Holocaust Records Vinyl/Libertinus Records/Tornhate Records/Necro Distro & Prods/ T.N. Prods. & Distro - Nacional)


01. Intro    
02. Immortals   
03. From Life to Death    
04. Mortal Desire    
05. Warlock of the Underworld    
06. Demonized    
07. Extremely Against the World    
08. Living Blasphemia    
09. Alien Tomb

O Rio Grande do Sul e o Death Metal possuem uma ligação forte, quase umbilical, já que a naturalidade com que o cenário gaúcho gera grandes nomes para o estilo é algo que beira o absurdo. Surgido na cidade de Erechim, no ano de 2013, o Power Trio Morthur é mais um nome que surge para se somar à lista de ótimas bandas surgidas por lá, e nos apresenta aqui seu debut, Between the Existence and the End, um trabalho que, confesso, me surpreendeu muito positivamente.

O que temos em mãos é um belíssimo álbum de Blackned Death Metal, como se aquele Morbid Angel dos primeiros álbuns se encontrasse com o Behemoth para fazerem uma jam. Sua música soa forte e bem densa, esbanjando peso, agressividade, brutalidade e energia, mas com um certo clima gélido e sombrio perpassando suas canções. E isso, somado às letras de cunho mais filosófico e niilista, geram uma sonoridade maravilhosamente odiosa.

Os vocais de Jeferson Casagrande seguem uma linha mais urrada do que gutural, e se mostram bem variados. Na guitarra, ele também faz um belo trabalho, despejando riffs bem agressivos e cortantes (que resvalam no Black Metal em alguns momentos). Na parte rítmica, muito pesada e coesa, o baixo de Marco Antonio Zanco se mostra belicoso, enquanto o baterista André Cândido faz um belíssimo uso dos pedais duplos. E o mais legal é que, apesar de não adotar modernidades em seu som e seguir uma linha mais Old School, em momento algum sua música soa datada. Justamente o contrário, temos aqui uma sonoridade bem atual.


Após a curta intro, “Immortals” chega simplesmente destruidora, com boa velocidade, mudanças de ritmo e alguns riffs de arrepiar a espinha. “From Life to Death” mantém o nível de rispidez bem alto, soando bruta e raivosa. Vai remeter muitos por aí aos bons momentos do Morbid Angel. Mas o Morthur não aposta apenas na velocidade, já que momentos mais cadenciados se fazem presentes, dando variedade ao trabalho. Faixas como “Mortal Desire” e “Warlock of the Underworld” (simplesmente brutal) são ótimos exemplos disso. “Demonized” começa a mil por hora, para em seguida alternar entre cadência e velocidade, tendo na sequência a variada “Extremely Against the World”. Na sequência final, “Living Blasphemia” se mostra bem arrastada e sombria, características também presentes na ótima “Alien Tomb”, que fecha o CD.

Gravado e produzido entre os anos de 2014 e 2016 pela própria banda e pela Phobos Dark Art, e com a mixagem feita por Jeferson Casagrande, é nítido o cuidado que tiveram nesse sentido, já que o resultado ficou muito bom, bem acima da média do que vemos no cenário nacional. A capa e layout também foram obra de Jeferson, tendo ficado simples, mas funcional e dentro do contexto apresentado. Mostrando uma maturidade absurda, além de muita energia e criatividade, o Morthur surpreende de forma muito positiva, credenciando-se desde já a pleitear um posto entre as principais bandas do estilo no país. Se gosta de Death Metal bem-feito, pode correr atrás desse material.

NOTA: 8,5

Morthur é:
- Jeferson Casagrande (vocal/guitarra);
- Marco Antonio Zanco (baixo);
- André Cândido (bateria).

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)


Cradle Of Filth - Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay (2017)
(Nuclear Blast/Shinigami Records - Nacional)

 
01. Exquisite Torments Await
02. Heartbreak And Seance
03. Achingly Beautiful
04. Wester Vespertine
05. The Seductiveness Of Decay
06. Vengeful Spirit
07. You Will Know The Lion By His Claw
08. Death And The Maiden
09. The Night At Catafalque Manor (bônus)
10. Alison Hell (Annihilator Cover) (bônus)

Como é bom ver uma banda conseguir recuperar seu brilho. Nos anos 90, o Cradle of Filth lançou alguns trabalhos realmente clássicos, com maior destaque para os álbuns Dusk and Her Embrace (96) e Cruelty and the Beast (98) e o EP V Empire or Dark Faerytales in Phallustein (96), mas infelizmente a entrada no século XXI não foi das melhores, com trabalhos de qualidade discutível (Nymphetamine (04) e Thornography (06) passam longe dos seus anos de glória) e uma série de álbuns que entrariam naquela categoria “não fede e nem cheira”, já que soaram indiferentes para uma parcela de fãs de música pesada. Parte disso certamente pode ser colocado na conta das mudanças de formação ocorridas no período.

Hammer of the Witches (15) foi um trabalho que surpreendeu a muitos (inclusive a mim) pela sua força e grande qualidade, com o Cradle of Filth acertando a mão como não fazia desde o século passado. E nesse ponto, as entradas dos guitarristas Ashok e Rich Shaw e da tecladista e vocalista Lindsay Schoolcraft ajudaram demais, pois a química entre os novatos e Dani Filth (vocal), Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) parece ter sido realmente instantânea. Era como se tocassem juntos há muito mais tempo. E foi mantendo essa formação (algo que não ocorria há muito tempo no COF) que partiram para a gravação de Cryptoriana – The Seductiveness Of Decay, seu 14º trabalho de estúdio (incluindo na conta o álbum de regravações, Midnight in the Labyrinth (12)).

Em Cryptoriana temos a prova que o álbum anterior não foi um simples golpe de sorte, já que o alto nível se mantém. Mesclando elementos de Black, Death e Heavy Tradicional, com as orquestrações e coros dando aquele ar gótico que marcou a banda nos anos 90, o Cradle of Filth conseguiu unir o antigo e o novo em sua sonoridade. Os vocais de Dani Filth continuam mostrando aquela versatilidade à qual nos acostumamos, enquanto a dupla de guitarristas formada por Ashok e Rich Shaw se mostra um verdadeiro achado, sendo responsáveis por alguns dos melhores riffs da história da banda, além de solos fantásticos. Na parte rítmica, Daniel Firth (baixo) e Marthus (bateria) apresentam a competência de sempre, com coesão e peso, enquanto Lindsay Schoolcraft nos entrega ótimas melodias de teclado e intervenções precisas de seus vocais.


Após a sinistra introdução com “Exquisite Torments Await”, que dá o tom do que encontraremos pela frente, temos “Heartbreak And Seance”, pesada, com bons riffs e atmosfera gótica dada pelos belos coros. Já “Achingly Beautiful” possui elementos sinfônicos grandiosos e vai remeter o ouvinte direto aos tempos de Dusk and Her Embrace. Sem dúvida uma das melhores de todo o álbum. A melancólica e melódica “Wester Vespertine” traz os primeiros elementos mais evidentes de NWOBHM, que acabam escancarados de vez em “The Seductiveness Of Decay”, graças à dupla Ashok/Shaw (a influência de Maiden fica muito evidente). “Vengeful Spirit”, além dos bons riffs, tem boa participação de Liv Kristine. Na sequência final, temos as pesadas "You Will Know The Lion By His Claw”, cativante e com refrão forte e “Death And The Maiden”. Na versão nacional, mais duas bônus, que fazem valer a pena a aquisição: a excelente “The Night At Catafalque Manor”, que poderia estar tranquilamente no clássico Cruelty and the Beast, e uma ótima versão para “Alison Hell”, do Annihilator.

Mantendo a dobradinha dos últimos trabalhos, mais uma vez trabalharam com Scott Atkins, que aqui ficou responsável pela gravação, produção, mixagem e masterização. Claro, audível e pesado. Quanto à parte gráfica, assim como em Hammer of the Witches, a belíssima capa foi feita por Arthur Berzinsh, com o layout do encarte tendo sido obra de Dan Goldsworthy (Devilment, Alestorm, Gloryhammer). Belíssimo por sinal. Mostrando que está vivendo uma de suas melhores fases, o Cradle of Filth acerta em cheio com Cryptoriana, provando que, ao contrário do que pareceu por um tempo, não perdeu a mão para boa música.

NOTA: 8,5

Cradle of Filth é:
- Dani Filth (vocal);
- Ashok (guitarra);
- Richard Shaw (guitarra);
- Daniel Firth (baixo);
- Marthus (bateria);
- Lindsay Schoolcraft (vocal/teclado).

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Bad Bebop - Prime Time Murder (2017)


Bad Bebop - Prime Time Murder (2017)
(Independente - Nacional)


01. D.O.A.
02. Deceiver
03. Vicious
04. Gone Wrong
05. 22
06. Trouble
07. Greed
08. River

Oriunda de Curitiba/PR, o Bad Bebop é uma banda relativamente nova, já que surgiu apenas no ano de 2015. Por trás desse nome, temos 3 nomes experientes da cena underground: o vocalista e baixista Juliano Ribeiro é guitarrista do Semblant, enquanto o guitarrista Henrique Bertol e o baterista Celso Costa tocaram juntos por anos no Necropsya. Ou seja, temos aqui um Power Trio de respeito.

Musicalmente, fogem do esperado, levando em conta as bandas e ex-bandas de seus integrantes, já que adotam uma sonoridade bem pesada, que mescla Heavy Metal, Stoner Rock e algo de Groove para apimentar ainda mais a mistura. Isso acaba por gerar uma música não só muito pesada, mas também diversificada e com melodias que realmente agradam o ouvinte. Juliano adota uma linha vocal mais rasgada, que combina perfeitamente com o instrumental mais sujo do Bad Bebop. Já Henrique e Celso mostram um entrosamento absurdo, cortesia do longo tempo em que tocam juntos.


O álbum já abre carregado de peso, com “D.O.A”, faixa carregada de energia e com bons riffs. “Deceiver” vem em seguida, mantendo as características da antecessora, além de possuir melodias bem agradáveis. “Vicious” traz um pouco de cadência ao trabalho, com “Gone Wrong” mantendo a mesma linha (ainda que um pouco mais lenta) e possuindo boa dose de sujeira. “22” é uma instrumental que vem para quebrar o peso e dar um descanso, bem introspectiva e com uma levada que a aproxima mais do Jazz, mas só até “Trouble” surgir com seus riffs marcantes e uma boa dose de Groove. É a melhor faixa de todo o álbum. “Greed” traz guitarras com um ótimo groove. “River” encerra de forma tranquila e remete um pouco ao Grunge.

A produção ficou a cargo de Henrique, com a mixagem sendo feita por Felipe Debiasio e a masterização sendo realizada pelos sempre competentes Eraldo Cobra e Neto Grous, no Absolute Master (SP). O resultado final é muito bom, já que todos os instrumentos estão claros, mas o peso e a sujeira necessária à sonoridade do trio se fazem presentes. Tudo isso vem em um digipack caprichado, que conta com arte de Allan de Angeles e fotos de Adriano Elias e Gustavo Nishida. E se você gosta de um Heavy Metal pesado, enérgico e sujo, o Bad BeBop é mais do que aconselhado para você.

NOTA: 8,0

Bad BeBop é:
– Juliano Ribeiro (vocal/baixo)
– Henrique Bertol (guitarra)
– Celso Costa (bateria)

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